A gripe assolou primeiramente na primavera setentrional de 1918. Era relativamente branda, um caso durando três dias. Mas, no outono setentrional daquele mesmo ano, apresentou-se a variedade mortífera. Foi observado que aqueles que anteriormente ficaram com a “gripe dos três dias” em geral pareciam imunes aos “germes mortíferos”.
Alguns disseram que a epidemia de gripe começou na Espanha, daí o nome de “gripe espanhola”. Madri, Espanha, foi duramente assolada pela gripe em maio de 1918. No entanto, já se tinha visto a gripe na China e nos Estados Unidos em março de 1918. Realmente, ninguém parece saber precisamente onde começou ou como.
Boston, EUA, é considerada como o ponto inicial da mortífera gripe nos EUA. Em poucos dias, espalhou-se rapidamente para a costa leste. Quase que simultaneamente, a gripe assolou os acampamentos do exército em todo o país. Camp Grant, em Rockford, Illinois, foi duramente atingido, dez mil pessoas ficando acamadas. Em questão de vinte e quatro horas, 115 soldados haviam morrido. O número se aproximava das médias diárias mais altas de estadunidenses mortos em batalha.
O estado mais atingido foi o de Pensilvânia, havendo mais de um terço de um milhão de casos e 10.000 mortes em menos de duas semanas. Em Filadélfia, duzentos corpos foram colocados num necrotério construído para trinta e seis pessoas. Os mortos eram empilhados, três ou quatro em cima dos outros, nos corredores e nos quartos. A maioria não foi embalsamada, ‘de modo que o mau cheiro era terrível nas camarás sem refrigeração. Quando houve súbita escassez de caixões na cidade, uma oficina de consertos de bondes foi transformada em fábrica de caixões.
Ela se espalhou por toda a terra. Em certa região remota da África Central, um oficial colonial inglês relatou ter encontrado povoados de 300 a 500 famílias eliminados pela gripe. O matagal estava crescendo de novo. Relatórios provindos do norte da Pérsia diziam que num povoado após outro não havia sobreviventes. Muitos povoados esquimós no Alasca foram devastados até o último homem e a última criança. Ela foi para as ilhas do Pacífico. Em Taiti, onde 4.500 pessoas morreram em questão de quinze dias, os corpos foram empilhados em piras que ardiam sem cessar.
Crê-se que apenas dois lugares no mundo escaparam da epidemia mundial: Sta. Helena, uma ilha de menos de 125 quilômetros quadrados no Atlântico Sul, e Maurício, ilhota no Oceano Índico.
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