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sábado, 21 de agosto de 2010

A Busca da Saúde

As autoridades chegaram à conclusão de que os problemas de saúde da humanidade não são solucionados simplesmente por terem mais remédios, mais médicos, ou mais hospitais, embora estes, sem dúvida, seriam um paliativo. Antes, requer-se mudanças radicais no modo de vida das pessoas e na maneira com que as pessoas tratam o ambiente. Por exemplo, o Dr. Halfdan Mahler, diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), escreveu num ensaio sobre o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril de 1983:

“O que podem as pessoas fazer quanto à saúde? Para citar alguns exemplos, podem tomar ação individual e comunitária para assegurar que tenham suficiente alimento do tipo correto. Podem reunir-se para tirar o máximo proveito de qualquer suprimento de água potável que esteja disponível, ou que possa tornar-se disponível, assegurando-se de que seja protegido contra a poluição. Podem insistir em normas aceitáveis de higiene nos lares e nos arredores deste, nos mercados e nas lojas, nas escolas, nas fábricas, em cantinas e em restaurantes. Podem aprender como espacejar o nascimento dos filhos que desejam ter, de tal modo que possam proporcionar a todos eles uma boa chance de sobreviver, uma educação razoável, e uma qualidade de vida decente.”

Evidentemente, esses são passos para se alcançar boa saúde. Mas, as perguntas óbvias são: Como podem os pobres dos países em desenvolvimento conseguir alimento suficiente, água potável, e higiene aceitável? Onde obterão eles os recursos e a habilidade necessários para prover tais coisas essenciais?

É interessante que um artigo de A Saúde do Mundo, a revista oficial da OMS, declarou: “Imagine um mundo ideal no qual toda a engenhosidade, todos os gastos, e todos os recursos humanos e materiais que atualmente são derramados em armamentos militares fossem, em vez disso, devotados à melhora da saúde do mundo!” Em que resultaria isso? Bem, o artigo calculou que a corrida armamentista custa ao mundo cerca de 600 bilhões de dólares por ano (c. Cr$ 2,4 quatrilhões), ou um milhão de dólares (c. Cr$ 4 bilhões) por minuto para mantê-la. Contudo, “a campanha de 14 anos para erradicar a doença assassina varíola, entre 1967 e 1980, custou ao mundo apenas 300 milhões de dólares (c. Cr$ 1,2 trilhões)”. Assim, o artigo concluiu: “Evidentemente, se até mesmo uma parte dos recursos atualmente destinados aos gastos militares pudesse ser transferida em vez disso para a prevenção, a cura e a pesquisa no campo da saúde, o mundo receberia um prodigioso impulso em direção ao alvo da Saúde para todos até o ano 2000.”

Que dizer das pessoas em países desenvolvidos? Podem estar em alguns sentidos numa situação melhor, mas, segundo o Dr. Mahler, elas também “precisam esforçar-se a cuidar de suas responsabilidades de saúde, alimentando-se sabiamente, bebendo com moderação, não fumando, dirigindo com cuidado, fazendo suficiente exercício, aprendendo a viver sob o stress da vida na cidade, e ajudando uns aos outros a fazê-lo”.

Assim, precisamos perguntar: Estarão as nações dispostas a mudar sua política e a dar elevada prioridade ao empenho pela saúde? Estarão elas dispostas a pôr de lado suas diferenças políticas e a reunir seus recursos e esforços, visando vencer as doenças? E mudarão as pessoas seu modo de vida para outro que seja mais saudável? Realisticamente, terá de admitir que isto é muito improvável. A cura de todas as doenças nunca se dará se tivermos de esperar isso das nações.

O Que É Doença?

Neste contexto, a doença relaciona-se bastante com a forma em que vivemos e em que lidamos com o nosso ambiente. Achamos que hoje o nosso modo de vida civilizado contribuiu muito para melhorar as condições gerais de saúde. Mas, note o que Dubos e Pines dizem: “Os aborígines australianos, que vivem em relativo isolamento numa cultura da idade da Pedra, são notavelmente livres de doenças. De fato, é apenas nas sociedades mais avançadas que o homem civilizado, mediante a ciência da medicina moderna, começa a aproximar-se da boa saúde que o povo menos civilizado do mundo desfruta como direito inato.”

Outro desse “povo menos civilizado” citado pelos autores são os mabaans do Sudão. “Os mabaans usufruem longevidade que seria notável na mais medicamente mimada sociedade. Ademais, seus anos declinantes são quase livres das doenças degenerativas comuns à idade avançada. Os cientistas ainda estão perplexos com a saúde extraordinária dos mabaans, porém seu ambiente estável e tranqüilo é quase que certamente um fator importante.” Para salientar a influência do ambiente, os autores acrescentaram: “Quando um mabaan muda-se do seu lar para a cidade de Cartum, distante 650 milhas [1.050 km], ele é acometido de um grande número de doenças que nunca conheceu.”

Em contraste com isso, nosso modo de vida “civilizado” produziu a poluição do ar e da água, o desflorestamento, a superpopulação, e a desnutrição de grandes segmentos da população. A negligência do homem quanto ao tratamento do ambiente não só apresenta graves riscos à sua saúde, mas também ameaça a perspectiva de continuidade da sua existência na terra. — Veja Revelação 11:18.

Não é de surpreender, pois, que a doença tenha sido definida às vezes como “subproduto dum modo de vida civilizado”. Consideramo-nos civilizados por não mais vivermos em regiões agrestes. Em vez disso, talvez vivamos em cidades, em contato íntimo uns com os outros, se não literalmente uns em cima dos outros. De fato, a palavra “civilizado” é derivada duma raiz latina que significa cidadão ou residente de cidade. Mas, de onde proveio a idéia de morar em cidade?

O primeiro registro disso nos é fornecido em Gênesis 11:4: “Disseram então: ‘Vamos! Construamos para nós uma cidade e também uma torre com o seu topo nos céus, e façamos para nós um nome célebre, para que não sejamos espalhados por toda a superfície da terra.’” Essa proposta feita nos dias de Ninrode ia de encontro com o propósito de Deus declarado a Adão, a saber, de os humanos ‘encherem a terra e sujeitá-la’. Para isso, deviam espalhar-se ao passo que seu número aumentava. Por se recusar a fazer isso, bem como por outras razões mais, Ninrode passou a ser conhecido como estando “em oposição a Deus”. (Gênesis 10:9) Esse proceder desafiante, mais a rebelião no jardim do Éden, precipitaram a humanidade à decadência, às doenças e à morte.

Mesmo hoje, a maioria das doenças que afligem os que vivem em nações prósperas são resultado do seu modo de vida.

Cura para todas as doenças — pode ser conseguida!

NO DECORRER dos séculos, não houve falta de empenho na procura da cura para todas as doenças. Todos os anos bilhões em dinheiro são gastos com a saúde pública. Alguns dos maiores talentos do mundo, empregando as mais avançadas tecnologias, estão empenhados na pesquisa médica. Contudo, as pessoas em toda a terra ainda padecem de doenças, e males devastadores continuam conosco. Nossa situação não mudou muito desde os dias de Moisés. Mais de 3.000 anos atrás ele escreveu: “Os dias dos nossos anos são em si mesmo setenta anos; e se por motivo de potência especial são oitenta anos, mesmo assim a sua insistência é em desgraça e em coisas prejudiciais.” — Salmo 90:10.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tenha objetivos realísticos

Antes de mais nada, se você planeja começar um programa de exercícios, não estabeleça objetivos irrealísticos. Comece devagar e aumente aos poucos. Os cientistas reconheceram recentemente o valor de exercícios físicos leves a moderados, e recomendam que pessoas sedentárias aumentem sua atividade física gradualmente. Por exemplo, o UC Berkeley Wellness Letter, boletim informativo sobre nutrição, boa forma e controle de estresse, publicado pela Universidade da Califórnia, aconselha: “Comece fazendo alguns minutos a mais de atividades por dia e vá aumentando até atingir 30 minutos de exercícios em quase todos ou, de preferência, em todos os dias da semana.” O boletim explica que “tudo o que você tem a fazer são as coisas normais da vida, como caminhar e subir escadas, só que com mais freqüência, por um pouco mais de tempo e/ou um pouco mais rápido”.

Os iniciantes devem se concentrar na regularidade em vez de na intensidade. Depois de ter melhorado a força e a resistência, você pode esforçar-se para aumentar a intensidade dos exercícios. Pode fazer isso por acrescentar sessões mais longas de atividades mais vigorosas, como caminhadas rápidas, jogging, subir escadas ou andar de bicicleta. Por fim, para ter um programa mais completo, você pode até incluir um pouco de levantamento de peso e alguns exercícios de alongamento. Muitos especialistas em saúde, porém, não concordam mais com o lema “sem sacrifício nada se consegue” no que se refere a exercícios. Então, para diminuir o risco de lesões e para evitar a exaustão e o desânimo que geralmente levam à desistência, mantenha os exercícios num nível confortável.

O que é estilo de vida sedentário?

Como você pode saber se é suficientemente ativo? Há várias opiniões sobre o que constitui um estilo de vida sedentário. No entanto, a maioria dos especialistas em saúde concorda em alguns princípios gerais que se aplicam à maioria das pessoas. Várias organizações de saúde explicam que uma pessoa é sedentária se: (1) não se exercita ou não faz alguma atividade física vigorosa por pelo menos 30 minutos, três vezes por semana, (2) não se movimenta de um lugar para outro enquanto participa de algum lazer, (3) raramente caminha mais de 100 metros durante o dia, (4) fica sentada a maior parte do dia, (5) trabalha com algo que requer pouca atividade física.

Você se exercita o suficiente? Se não, é bom começar hoje mesmo a tomar providências para isso. ‘Mas eu realmente não tenho tempo’, talvez diga. Quando levanta de manhã, você está simplesmente cansado demais. No início do dia, mal tem tempo para se aprontar e chegar ao trabalho. Daí, depois de um longo dia, você se sente novamente muito cansado e tem muitas outras coisas para fazer.

Ou talvez você esteja entre as muitas pessoas que começam a se exercitar, mas desistem depois de alguns dias porque acham isso pesado demais, e até ficam doentes depois dos exercícios. Outros evitam se exercitar porque acham que um bom programa de exercícios deve incluir rotinas cansativas de levantamento de peso, longas corridas diárias por muitos quilômetros e sessões meticulosas de alongamentos coreografados. — Veja o quadro “Levantamento de peso e alongamento”.

Daí, vêm as despesas e as aparentes inconveniências. Para praticar jogging, você precisa de roupas e calçados apropriados. Para fazer musculação, são necessários pesos ou aparelhos especiais. Ser membro de uma academia pode ser caro, e ir até lá pode consumir muito tempo. Ainda assim, nada disso deve impedi-lo de ter uma vida fisicamente ativa e obter os benefícios resultantes para sua saúde.

Você se exercita o suficiente?

“Não há, nem haverá, nenhum remédio que garanta boa saúde tanto quanto um programa vitalício de exercícios físicos.”

EM 1982, o Dr. Walter Bortz II, professor universitário de medicina, escreveu as palavras acima. Nos últimos 23 anos, muitas organizações e especialistas em saúde mencionaram essas palavras em livros, revistas e páginas da internet. Evidentemente, o conselho do Dr. Bortz é tão atual como era em 1982 e ainda é amplamente aceito como correto e importante. Então, seria bom nos perguntarmos: ‘Faço suficiente exercício?’

Alguns concluem erroneamente que não precisam fazer exercícios, só porque não estão acima do peso. As pessoas obesas e as que estão com excesso de peso podem se beneficiar muito de um programa regular de exercícios. Mas, mesmo que você não esteja acima do peso, é provável que aumentar suas atividades físicas melhore sua saúde geral e ajude a prevenir doenças sérias, incluindo certos tipos de câncer. Além disso, estudos recentes mostram que a atividade física pode reduzir a ansiedade e talvez até mesmo prevenir a depressão. O fato é que muitas pessoas magras sofrem de estresse mental e emocional, doenças cardiovasculares, diabetes e outras enfermidades que se agravam com a falta de exercícios. Assim, quer você esteja com excesso de peso, quer não, se sua vida é sedentária, é bom aumentar suas atividades físicas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Boa saúde: o que você pode fazer?

“Os melhores médicos do mundo são a Dra. Dieta, a Dra. Tranqüilidade e a Dra. Alegria”, escreveu Jonathan Swift, escritor do século 18. De fato, uma dieta equilibrada, o descanso apropriado e o contentamento são ingredientes importantes da boa saúde. Isso significa que, apesar das afirmações em contrário da propaganda astuta, não podemos comprar boa saúde por simplesmente tomar comprimidos. “O consumo desnecessário e até perigoso de medicamentos” pode enfraquecer o sistema imunológico. — Dicionário Terapêutico Guanabara.

Contudo, assumindo a responsabilidade pelo nosso estilo de vida e evitando o abuso de medicamentos, o fumo, o excesso de bebida e o estresse excessivo, podemos contribuir muito para melhorar o nosso bem-estar. Diz Marian, 65 anos, missionária veterana no Brasil: “Tenho tido uma saúde razoavelmente boa por levar uma vida moderada e comer uma variedade de alimentos sadios.” Ela diz também: “Geralmente me levanto cedo e gosto disso, assim, dormir cedo é essencial.” Não se deve minimizar o valor do bom senso e dos bons hábitos, nem a importância de exames de saúde periódicos e da boa comunicação com um bom médico de família.

Visto que deseja permanecer saudável, Marian procura não negligenciar a sua saúde mas, ao mesmo tempo, não se preocupa demais com isso. Ela observa: “Além disso, eu peço em oração a direção de Jeová sobre qualquer decisão referente à saúde que eu tenha de tomar, de modo que eu possa fazer o melhor a longo prazo e não gastar tempo e recursos demais em tentativas de melhorar a minha saúde.” E acrescenta: “Visto que manter-se ativo é vital, oro a Deus para que me ajude a ser razoável no uso do meu tempo e de minhas energias, sem me poupar desnecessariamente nem ultrapassar os meus limites.”

Para sermos realmente felizes, não podemos ignorar o futuro. Mesmo se a nossa saúde for relativamente boa no momento, a doença, a dor, o sofrimento e a eventual morte persistem. Existe esperança de que algum dia teremos saúde perfeita?

Quando procurar ajuda médica

Um médico brasileiro sugere: “O médico deve ser procurado, imediatamente, se sintomas tais como febre, cefaléias, vômitos, dores abdominais, torácicas e pélvicas, além de outras algias, não cederem com medicações simples, se forem recidivantes com freqüência e sem causa aparente, ou ainda se forem agudas e de forte intensidade.” Outro médico recomenda buscar ajuda médica sempre que estejamos inseguros sobre como lidar com os sintomas, ou acharmos que algo está diferente das outras vezes. Ele acrescenta: “Geralmente quando os doentes são os filhos, os pais preferem procurar um profissional de saúde.”

Mas será sempre necessário tomar remédios? Poderiam os remédios ser contraproducentes? Há efeitos colaterais, como irritação do estômago ou danos ao fígado ou aos rins? Que dizer das interações com outros medicamentos? “Poucos pacientes encaram seus problemas sem emotividade ou mesmo com percepção”, diz The New Encyclopædia Britannica. No entanto, um médico consciencioso pode ajudar-nos a ver que todos os medicamentos são potencialmente prejudiciais, e que poucos remédios usados hoje não têm efeitos colaterais. Comprove isso lendo os avisos de possíveis efeitos colaterais na bula do próximo remédio receitado que você comprar. Até mesmo os remédios vendidos sem receita podem causar danos ou a morte se forem usados incorretamente ou em excesso.

A necessidade de cautela é frisada num artigo de Richard A. Knox, no jornal The Boston Globe: “Milhões de vítimas de artrite que diariamente tomam analgésicos correm o risco de sofrer hemorragia súbita e potencialmente fatal, informam pesquisadores da Universidade de Stanford [EUA].” Ele acrescenta: “Ademais, os pesquisadores alertam: combinar os analgésicos com antiácidos ou com os populares comprimidos ácido-bloqueadores não protege das graves complicações estomacais, podendo até aumentar o perigo.”

Que dizer da automedicação comum? Diz um médico de Ribeirão Preto, Brasil: “Creio que seria muito benéfico se todos pudessem ter uma pequena farmácia doméstica. . . . Todavia, esses medicamentos deveriam ser utilizados com critério e bom senso.”  Também, uma educação básica em saúde contribui para uma qualidade de vida melhor. Visto que as circunstâncias diferem de pessoa para pessoa, Despertai! não recomenda nenhum medicamento, terapia ou remédio natural específicos.

Como ter boa saúde?

TERAPIAS são um assunto muito comum de conversa. Parece que quase todo amigo ou vizinho tem seu tratamento predileto para todo tipo de doença. Compreensivelmente, o anseio de automedicar-se pode ser muito forte. Mas há pessoas que “só vão ao médico quando a situação é crítica”, diz uma médica brasileira. Por exemplo, “pessoas que apresentam lesões de pele que não cicatrizam, apesar de automedicação durante meses. Quando chegam a procurar o médico, descobre-se que é um tipo de câncer que devia ter sido tratado logo no início”.

Visto que o diagnóstico precoce muitas vezes salva vidas, o custo da demora pode ser muito elevado. “Certa senhora, 30 anos, apresentou atraso menstrual e dor moderada no hipogástrio. Ela medicou-se intensamente com analgésicos e antiinflamatórios e a dor melhorou”, conta um cirurgião. “Mas após três dias ela apresentou choque hemorrágico. Levada às pressas ao hospital, operei-a imediatamente, diagnosticando gravidez tubária rota; salvou-se por bem pouco!”

Uma jovem senhora de São Paulo achava que estava com anemia, mas seu problema era insuficiência renal crônica. Visto que demorou em se tratar, a única solução possível veio a ser um transplante. Sua médica conclui: “Muitas vezes o paciente por receio de procurar o tratamento médico se automedica, ou procura outros meios por indicação de leigos, e termina com um quadro grave.”

Certamente, não desejamos minimizar os sinais que o nosso corpo emite. Mas como podemos evitar ficar obcecados com terapias ou com automedicação? Boa saúde se define como “condição de estar sadio no corpo, na mente, ou no espírito”, ou “estar livre de doença física ou de dor”. Curiosamente, reconhece-se que, em maior ou menor grau, atualmente a maioria das doenças são evitáveis. Segundo o Dr. Lewis Thomas: “Longe de termos sido feitos ineptamente, somos organismos surpreendentemente resistentes e duráveis, cheios de saúde.” Assim, em vez de ‘nos tornarmos saudáveis hipocondríacos, quase morrendo de tanta preocupação’, devemos cooperar com o corpo e sua habilidade extraordinária de curar a si mesmo. Um bom médico ou outro terapeuta também podem ser de ajuda.

domingo, 1 de agosto de 2010

Um problema global

É evidente que fazer atividades físicas moderadas com regularidade é vital para o nosso bem-estar. No entanto, apesar dos riscos amplamente divulgados da falta de exercícios físicos, grande parte da população mundial permanece praticamente inativa. A Federação Internacional de Cardiologia acredita que 60% a 85% da população mundial “não é fisicamente ativa o suficiente para obter benefícios à saúde, em especial as meninas e as mulheres”. Essa organização afirma que “quase dois terços das crianças também não são suficientemente ativas de modo a beneficiar a saúde”. Nos Estados Unidos, cerca de 40% dos adultos são sedentários, e cerca da metade dos jovens entre 12 e 21 anos não pratica atividades físicas vigorosas regularmente.

Um estudo que examinou a incidência de estilos de vida sedentários em 15 países europeus constatou que as porcentagens de pessoas inativas variavam de 43% na Suécia a 87% em Portugal. Em São Paulo, Brasil, cerca de 70% da população é sedentária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que “dados obtidos em pesquisas sobre saúde no mundo todo são notavelmente harmoniosos”. Então, não é de surpreender a estimativa de que 2 milhões de pessoas morram todo ano de causas relacionadas ao sedentarismo.

Especialistas em saúde no mundo todo consideram essa tendência alarmante. Por isso, agências governamentais ao redor do mundo iniciaram várias campanhas, com o objetivo de educar o público sobre os benefícios da atividade física moderada. A Austrália, o Japão e os Estados Unidos esperam alcançar um aumento de 10% no nível de atividade física de seus cidadãos por volta de 2010. O objetivo da Escócia é que 50% de sua população adulta esteja praticando atividades físicas regulares por volta de 2020. Um relatório da OMS explica que “outros países que apresentaram seus  programas nacionais de atividades físicas foram México, Brasil, Jamaica, Nova Zelândia, Finlândia, Federação Russa, Marrocos, Vietnã, África do Sul e Eslovênia”.

Apesar dos esforços de governos e organizações de saúde, cada pessoa tem, no fim das contas, a responsabilidade principal de cuidar da própria saúde. Pergunte-se: ‘Sou ativo e me exercito o suficiente? Se não, o que posso fazer para me livrar do estilo de vida sedentário?’ O próximo artigo mostrará como você pode fazer mais atividades físicas.

Os riscos de um estilo de vida sedentário

A redução drástica do esforço físico resultou em muitos problemas de saúde física, mental e emocional. Por exemplo, uma agência de saúde na Grã-Bretanha relatou recentemente: “Crianças sedentárias correm o risco de ter auto-estima mais baixa, maior ansiedade e níveis de estresse mais elevados. Também, a probabilidade de que essas crianças venham a fumar e usar drogas é muito maior do que a das crianças ativas. Funcionários sedentários perdem mais dias de trabalho do que os fisicamente ativos. Mais tarde na vida, as pessoas que não fazem exercícios físicos perdem a força básica e a flexibilidade necessárias para realizar atividades diárias. Em resultado, muitas perdem sua independência e têm saúde mental mais fraca.”

Cora Craig, presidente do Instituto Canadense de Pesquisa sobre Aptidão Física e Estilos de Vida, explica que “os canadenses estão muito menos ativos fisicamente no trabalho do que antes . . . Em geral, a atividade física está em baixa”. O jornal The Globe and Mail, do Canadá, disse: “Cerca de 48% dos canadenses estão acima do peso, incluindo 15% que são obesos.” Disse também que 59% dos adultos naquele país são sedentários. O Dr. Matti Uusitupa, da Universidade de Kuopio, na Finlândia, adverte que “a incidência de diabetes tipo 2 está aumentando rapidamente em todo o mundo por causa do aumento da obesidade e do estilo de vida sedentário”.

Em Hong Kong, um estudo recente concluiu que quase 20% de todas as mortes de pessoas com 35 anos ou mais podem estar relacionadas com a falta de atividade física. O estudo, dirigido pelo professor Tai-Hing Lam da Universidade de Hong Kong, e publicado em 2004 pelo periódico Annals of Epidemiology, concluiu que os “riscos resultantes da inatividade física excedem os riscos relacionados com o cigarro” entre a população chinesa de Hong Kong. Os pesquisadores prevêem que o restante da China “passará por uma situação similar, resultando num alto índice de mortalidade”.

Será que essa preocupação se justifica? Pode a falta de atividade física realmente prejudicar a saúde, até mesmo mais que o fumo? É amplamente reconhecido que, em comparação com pessoas ativas, as sedentárias tendem a ter pressão sanguínea mais alta, correm maior risco de ter derrames e ataques cardíacos, de desenvolver certos tipos de câncer e osteoporose, e têm maior tendência de se tornar obesas.

O The Wall Street Journal noticiou: “Em todos os continentes do globo, incluindo até mesmo regiões onde a má nutrição é generalizada, o número de pessoas que estão acima do peso ou que são obesas aumenta num índice alarmante. Isso se deve principalmente à mesma combinação de dietas altamente calóricas e comportamento sedentário que leva à epidemia de obesidade nos Estados Unidos.” O Dr. Stephan Rössner, professor de comportamento de saúde do Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia, concorda com isso e chegou a ponto de afirmar: “Não há país no mundo onde a obesidade não esteja aumentando.”

Tecnologia — bênção ou maldição?

As pessoas hoje têm saúde relativamente melhor e vida mais longa do que as que viveram séculos atrás. Isso se deve em parte à revolução tecnológica. As invenções modernas mudaram o modo como fazemos as coisas, e muitas tarefas difíceis ficaram mais fáceis. A medicina avançou muito na luta contra as doenças, melhorando a saúde da maioria das pessoas. Mas há uma ironia em tudo isso.

Ao passo que a tecnologia moderna contribuiu para uma saúde melhor, com o passar do tempo ela também contribuiu para que grande parte da população tivesse um estilo de vida sedentário. Num relatório intitulado Estatísticas Internacionais de Doenças Cardiovasculares, publicado recentemente, a Associação Americana do Coração explica que “a transição econômica, a urbanização, a industrialização e a globalização causam mudanças no estilo de vida que favorecem o surgimento de doenças cardíacas”. O relatório menciona “a falta de exercícios e uma dieta inadequada” entre os principais fatores de risco.

Em muitos países, apenas 50 anos atrás, um homem trabalhador suava atrás do cavalo e do arado, pedalava até o povoado para ir ao banco e fazia consertos em casa à noite. O estilo de vida de seus netos, porém, é bem diferente. O trabalhador moderno talvez fique a maior parte do dia sentado em frente a um computador, vá de carro a praticamente todos os lugares e passe a noite em frente à TV.

Segundo certo estudo, lenhadores suecos, que no passado queimavam até 7 mil calorias por dia derrubando árvores e movendo toras, agora observam máquinas sofisticadas fazer a maior parte do trabalho pesado. No passado, muitas estradas no mundo eram construídas e conservadas por homens que usavam pás e picaretas. Mas atualmente, mesmo nos países em desenvolvimento, escavadeiras e outras máquinas pesadas fazem todo o trabalho de terraplenagem.

Em algumas partes da China, pequenas motocicletas estão aos poucos substituindo as bicicletas como meio de transporte preferido. Nos Estados Unidos, 25% de todas as viagens são de menos de 1,5 quilômetro, e 75% dessas pequenas viagens são feitas de carro.

A tecnologia moderna produziu também uma geração de crianças sedentárias. Certo estudo observou que, à medida que os jogos eletrônicos se tornam “mais divertidos e mais realísticos, as crianças . . . passam mais tempo diante de seus videogames”. Chegou-se a conclusões similares no que diz respeito a ver TV e a outras formas sedentárias de diversão para crianças.

Você precisa mesmo se exercitar?

“Exercite-se duas vezes por semana para manter a forma. Faça 30 minutos de exercícios físicos por dia. Evite bebidas alcoólicas para prevenir o câncer. Tome bebidas alcoólicas para diminuir o risco de doenças cardíacas. Sente-se às vezes sobrecarregado com tantos bons conselhos? Um dia as manchetes dizem uma coisa e, na semana seguinte, algo completamente diferente. . . . Por que os cientistas não chegam a um acordo? Por que numa semana o café é prejudicial e na outra é inofensivo?” — Barbara A. Brehm, Doutora em Educação e professora de estudos sobre esporte e exercício.

OS ESPECIALISTAS em saúde muitas vezes discordam em assuntos relacionados a nutrição e condicionamento físico. Muitas pessoas ficam confusas com o excesso de informações sobre o que se pode, ou não, fazer para permanecer saudável. No entanto, no que diz respeito a atividades físicas moderadas, parece haver um consenso geral entre os cientistas — se você quer ter uma saúde melhor, precisa se exercitar regularmente!

Um grande problema hoje em dia, especialmente em países industrializados, é que as pessoas não se exercitam o suficiente. No passado, muitos nesses países faziam trabalho braçal — lavoura, caça ou construção. É verdade que o grande esforço físico necessário apenas para obter o sustento sobrecarregava nossos antepassados, e até diminuía a duração de sua vida. De acordo com a Encyclopædia Britannica, “nas antigas Grécia e Roma, a expectativa média de vida era de aproximadamente 28 anos”. Em contraste, por volta do final do século 20, a expectativa de vida nos países desenvolvidos era de cerca de 74 anos. Por que houve essa mudança?