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quarta-feira, 31 de março de 2010

As transfusões de sangue e a guerra

Durante a Primeira Guerra Mundial aplicaram-se muitas transfusões de sangue em soldados feridos. Naturalmente, o sangue coagula rápido e antes era quase impossível transportá-lo para o campo de batalha. Mas no início do século 20, o Dr. Richard Lewisohn, do Hospital Monte Sinai em Nova York, fez experiências bem-sucedidas com um anticoagulante chamado citrato de sódio. Para alguns médicos, esse avanço empolgante foi um verdadeiro milagre. “Foi quase como se alguém tivesse feito o sol ficar parado”, escreveu o Dr. Bertram M. Bernheim, um médico famoso na sua época.
Durante a Segunda Guerra Mundial, aumentou o uso do sangue. Em toda parte, encontravam-se pôsteres com mensagens como: “Doe sangue agora”, “Seu sangue poderá salvá-lo” e “Ele deu o próprio sangue. E você, dará o seu?” As campanhas de doação de sangue surtiram efeito. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram doadas cerca de 13.000.000 de unidades nos Estados Unidos. Calcula-se que, em Londres, mais de 260.000 litros foram coletados e distribuídos. Naturalmente, as transfusões de sangue traziam vários riscos à saúde, como logo ficou evidente.

Perigos iniciais

No século 19, os médicos voltaram a fazer experimentos com transfusões de sangue. O principal responsável por isso foi um obstetra inglês chamado James Blundell. Com técnicas melhores, instrumentos mais modernos e sua insistência em só usar sangue humano, Blundell fez com que as transfusões de sangue recebessem atenção de novo.
Mas em 1873, F. Gesellius, um médico polonês, publicou uma descoberta assustadora que causou um retrocesso no uso de transfusões: mais da metade das transfusões realizadas acabavam em morte. Quando souberam disso, médicos destacados passaram a condenar o procedimento. Novamente, a popularidade das transfusões diminuiu.
Daí, em 1878, o médico francês Georges Hayem aperfeiçoou uma solução salina que, segundo afirmava, poderia servir como substituto do sangue. Diferentemente deste, a solução salina não tinha efeitos colaterais, não coagulava e era fácil de transportar. Compreensivelmente, a solução salina de Hayem passou a ser amplamente usada. Mas logo aconteceu algo estranho: muitos voltaram a defender o uso do sangue. Por quê?
Em 1900, o patologista austríaco Karl Landsteiner descobriu a existência dos tipos sanguíneos que nem sempre são compatíveis entre si. Não é de admirar que tantas transfusões no passado tenham acabado em tragédia. Agora seria possível mudar isso: bastaria verificar se o tipo sanguíneo do doador era compatível com o do receptor. Com essa descoberta, os médicos voltaram a confiar nas transfusões, bem em tempo para usá-las durante a Primeira Guerra Mundial.

Transfusões de sangue: uma longa história de controvérsias

“Se os glóbulos vermelhos fossem um novo remédio, hoje seria muito difícil conseguir autorização para usá-los.” — Dr. Jeffrey McCullough.
NO INVERNO de 1667, um louco violento chamado Antoine Mauroy foi levado a Jean-Baptiste Denis, famoso médico do Rei Luís XIV, da França. Denis achava que a “cura” ideal para a demência de Mauroy seria uma transfusão de sangue de bezerro que teria um efeito calmante sobre o paciente. Mas isso não deu certo para Mauroy. É verdade que, após uma segunda transfusão, seu estado melhorou. Mas logo o francês foi novamente dominado pela loucura e, pouco depois, estava morto.
Embora mais tarde tenha-se descoberto que Mauroy na verdade morreu devido a envenenamento por arsênico, as experiências de Denis com sangue animal causaram uma tremenda controvérsia na França. Finalmente, em 1670, a técnica foi proibida. Com o tempo, o Parlamento inglês e até o papa proibiram as transfusões de sangue. Elas caíram no esquecimento pelos próximos 150 anos.

Índice de suicídios para cada 100.000 pessoas, por idade e sexo

De 15 a 24 anos                      75 anos ou mais
homens/mulheres       país         homens/mulheres
8,0/2,5             Argentina         55,4/ 8,3
23,4/3,7         Estados Unidos       50,7/ 5,6
4,0/0,8              Grécia           17,4/ 1,6
19,2/3,8            Hungria          168,9/60,0
10,1/4,4              Japão           51,8/37,0
7,6/2,0              México           18,8/ 1,0
53,7/9,8             Rússia           93,9/34,8

Eficiência terrível

Embora essas estatísticas sejam chocantes, a simples análise desses números impessoais não nos diz o que é a solidão de uma vida sem o cônjuge amado, a frustração da perda da independência, o desespero causado por uma doença prolongada ou terminal, o vazio da depressão crônica. A triste verdade é que, ao passo que jovens talvez tentem se suicidar como reação precipitada a problemas temporários, os mais velhos geralmente enfrentam problemas que parecem permanentes e insolúveis. Em resultado disso, suas tentativas de suicídio costumam ser mais decididas do que as dos jovens — e terrivelmente eficientes.
“Além de o suicídio ser bem mais comum entre os idosos, o próprio ato suicida reflete diferenças importantes entre idosos e jovens”, diz o Dr. Hendin, no seu livro Suicide in America (Suicídio nos Estados Unidos). “Em especial, a proporção de tentativas de suicídios para os suicídios que realmente se consumam é nitidamente diferente entre os idosos. Entre a população em geral, a proporção é, calculadamente, de 10 tentativas de suicídio para 1 suicídio consumado; entre os jovens (15-24 anos) é, calculadamente, de 100 para 1; e entre pessoas com mais de 55 anos é, calculadamente, de 1 para 1.”
Essas estatísticas dão o que pensar. Como é deprimente envelhecer, perder a força física e sofrer dor e doenças! Não admira que tantos cometam suicídio. Mas existem fortes razões para se amar a vida, mesmo em circunstâncias difíceis. Vejamos o que aconteceu com Maria, mencionada na introdução.

O que as estatísticas revelam

Muito se escreveu em anos recentes sobre o número crescente de suicídios entre os jovens. E com razão, pois será que existe tragédia maior do que a morte desnecessária de um jovem promissor e cheio de vida? Mas as manchetes ignoram que o índice de suicídios na maioria dos países vai aumentando com a idade. Isso acontece quer o índice geral de suicídios no país seja alto quer não, como mostra o quadro abaixo. Uma olhada nessas estatísticas também mostra o alcance global dessa epidemia ignorada.
Em 1996, os Centros de Controle de Doenças, dos EUA, relataram que o número de suicídios entre norte-americanos de 65 anos ou mais havia aumentado 36% desde 1980. Parte desse aumento — mas não todo ele — se deve ao maior número de norte-americanos idosos. Em 1996, o índice real de suicídios entre pessoas de 65 anos ou mais também aumentou (9%) pela primeira vez em 40 anos. Entre as mortes causadas por ferimentos, somente as quedas e os acidentes de carro matam mais idosos nos Estados Unidos. Na verdade, mesmo essas cifras assustadoras talvez sejam muito baixas. “Suspeita-se que o número de suicídios seja muito maior do que o que aparece nas estatísticas baseadas nos atestados de óbito”, observa o livro A Handbook for the Study of Suicide (Manual para o Estudo do Suicídio). Ele acrescenta que, segundo alguns cálculos, a cifra real talvez seja duas vezes maior do que o que consta nas estatísticas.
Qual é o resultado disso? Nos Estados Unidos, como em muitos outros países, ocorre uma epidemia ignorada de suicídio de idosos. O Dr. Herbert Hendin, especialista no assunto, observa: “Apesar de o índice de suicídios nos Estados Unidos aumentar constante e acentuadamente com a idade, o suicídio de idosos recebe pouca atenção da opinião pública.” Por quê? Segundo ele, parte do problema reside no fato de o índice de suicídios entre idosos sempre ter sido alto. Assim, “não causou a mesma agitação súbita que o drástico aumento dos suicídios juvenis”.

Suicídio: a epidemia ignorada

JOÃO E MARIA têm quase 60 anos e moram numa casinha na zona rural dos Estados Unidos. João está morrendo lentamente de enfisema e insuficiência cardíaca congestiva. Maria simplesmente não consegue imaginar a vida sem João e não suporta a dor de vê-lo definhar, respirando com dificuldade. Maria também tem seus problemas de saúde e sofre de depressão há anos. João está preocupado porque ultimamente Maria tem falado em suicídio. O raciocínio dela está cada vez mais confuso devido à depressão e a todos os remédios que toma. Diz que não consegue imaginar a vida sem ele.
Eles têm muitos remédios em casa: comprimidos para o coração, antidepressivos, tranqüilizantes. Certa manhã bem cedo, Maria vai à cozinha e começa a engolir comprimidos. Só pára quando João a encontra e tira os comprimidos da mão dela. Ele chama a equipe de socorro médico ao passo que ela entra em coma. Ele reza para que não seja tarde demais.

A seita dos flagelantes

  Algumas pessoas que encaravam a peste como um castigo divino tentaram aplacar a ira de Deus chicoteando, ou flagelando, a si mesmas. A Irmandade dos Flagelantes, um movimento que, segundo dizem, reunia 800.000 seguidores, teve seu auge de popularidade durante a Peste Negra. As regras da seita proibiam falar com mulheres, lavar-se ou trocar de roupas. Praticavam a flagelação pública duas vezes por dia.
  “A flagelação era uma das poucas maneiras de que a população aterrorizada dispunha para extravasar”, menciona o livro Medieval Heresy (Heresia Medieval). Os flagelantes também se destacavam por denunciar a hierarquia da Igreja e sua prática lucrativa de conceder absolvição. Não admira então que, em 1349, o papa tenha condenado a seita. Por fim, porém, o movimento enfraqueceu por conta própria depois do fim da Peste Negra.

Coisa do passado ?

Mas foi apenas em 1894 que o bacteriologista francês Alexandre Yersin isolou o bacilo responsável pela Peste Negra. Foi chamado de Yersinia pestis em sua homenagem. Quatro anos depois, outro francês, Paul-Louis Simond, descobriu o papel da pulga dos ratos na transmissão da doença. Logo foi desenvolvida uma vacina relativamente eficaz.
Será que a peste é coisa do passado? Não. No inverno de 1910, umas 50.000 pessoas morreram de peste na Mandchúria. Todo ano a Organização Mundial da Saúde registra milhares de novos casos e o número continua aumentando. Descobriram-se também novas cepas da doença que resistem ao tratamento. De fato, se não forem seguidas normas básicas de higiene, a peste continuará a ameaçar a humanidade. Assim, o livro Pourquoi la peste? Le rat, la puce et le bubon (Por Que a Peste? O Rato, a Pulga e o Bubão), editado por Jacqueline Brossollet e Henri Mollaret, conclui que “longe de ser uma doença da velha Europa na Idade Média, . . . infelizmente a peste talvez seja a doença do futuro”.

Efeitos duradouros

Depois de cinco anos, a Peste Negra parecia ter finalmente terminado. Mas antes do fim do século, ela ainda atacaria pelo menos quatro vezes. Os seus efeitos têm sido comparados aos da Primeira Guerra Mundial. “Praticamente todos os historiadores modernos concordam que o surgimento da peste endêmica teve conseqüências profundas tanto na economia quanto na sociedade depois de 1348”, diz o livro The Black Death in England (A Peste Negra na Inglaterra), de 1996. A praga dizimou boa parte da população e certas regiões levaram séculos para se recuperar. Com uma força de trabalho menor, o custo da mão-de-obra naturalmente subiu. Ricos proprietários de terras faliram e o sistema feudal — uma marca registrada da Idade Média — entrou em colapso.
Portanto, a peste deu ímpeto a mudanças políticas, religiosas e sociais. Antes dela, a classe culta na Inglaterra em geral falava francês. Mas devido à morte de muitos professores de francês, a língua inglesa ganhou mais importância que a francesa na Grã-Bretanha. Houve também mudanças religiosas. Como menciona a historiadora francesa Jacqueline Brossollet, devido à diminuição de candidatos ao sacerdócio, “a Igreja muitas vezes teve de recrutar pessoas ignorantes e apáticas”. Brossollet afirma que “a decadência de centros de estudo e fé [da Igreja] foi uma das causas da Reforma”.
A Peste Negra sem dúvida deixou sua marca na arte, pois a morte tornou-se um tema artístico comum. A famosa dança macabra, gênero que em geral representa esqueletos e cadáveres, tornou-se uma alegoria popular sobre o poder da morte. Incertos acerca do futuro, muitos sobreviventes da praga abandonaram todas as restrições morais. Assim, a moralidade chegou ao fundo do poço. Visto que a Igreja não conseguira evitar a Peste Negra, “o homem medieval achou que sua Igreja o havia decepcionado”. (The Black Death) Alguns historiadores dizem também que as mudanças sociais que resultaram da Peste Negra promoveram o individualismo e a iniciativa, aumentando a mobilidade social e econômica — os precursores do capitalismo.
A Peste Negra também obrigou os governos a instalar sistemas de saneamento. Depois que a praga acabou, Veneza tomou medidas para limpar as ruas. De modo similar, na França, o Rei João II, o Bom, ordenou que as ruas fossem limpas a fim de fazer face à ameaça de epidemias. O rei mandou fazer isso depois de saber que um antigo médico grego havia salvado Atenas de uma praga limpando e lavando as ruas. Muitas ruas medievais, que haviam sido esgotos a céu aberto, foram finalmente saneadas.


Esforços frustrados

Os esforços para controlar a Peste Negra foram em vão porque ninguém sabia realmente como ela era transmitida. Muitos perceberam que o contato com um doente, ou até com a sua roupa, era perigoso. Alguns tinham medo até do olhar do doente. Mas os moradores de Florença, na Itália, achavam que os cães e gatos eram culpados pela praga. Mataram esses animais sem saber que, ao fazerem isso, abriam caminho para a criatura que realmente estava envolvida na transmissão da doença: o rato.
À medida que as mortes aumentavam, alguns passaram a se voltar para Deus em busca de ajuda. Homens e mulheres davam tudo o que tinham para a Igreja, esperando que Deus os protegesse da doença, ou que pelo menos os recompensasse com a vida celestial caso morressem. Com isso, a Igreja acumulou enorme riqueza. Alguns antídotos populares eram amuletos da sorte, imagens de Cristo e talismãs. Outros recorriam à superstição, à magia e à pseudomedicina para se curar. Dizia-se que perfumes, vinagre e poções especiais podiam afastar a doença. Outro tratamento muito usado era a sangria. A renomada faculdade de medicina da Universidade de Paris até atribuiu a praga ao alinhamento dos planetas. Falsas explicações e “curas”, porém, não contribuíram em nada para deter o avanço dessa praga assassina.

A praga se espalha

Segundo Guy de Chauliac, médico pessoal do Papa Clemente VI, dois tipos de peste invadiram a Europa: a pneumônica e a bubônica. Ele descreveu detalhadamente essas doenças, dizendo: “A primeira durou dois meses, com febre contínua e escarro sanguinolento, e a pessoa morria em três dias. A segunda durou pelo resto do período, também com febre contínua, mas com apostemas [abscessos] e carbúnculos nas partes externas, principalmente nas axilas e na virilha. A pessoa morria em cinco dias.” Os médicos não conseguiam deter o avanço da praga.
Muitas pessoas fugiram em pânico, deixando milhares de infectados para trás. De fato, os primeiros a fugir foram os nobres abastados e os profissionais. Embora alguns clérigos também tenham fugido, muitas ordens religiosas se esconderam nos mosteiros, esperando escapar da contaminação.
Em meio ao pânico, o papa declarou 1350 um Ano Santo. Os peregrinos que fossem a Roma receberiam acesso direto ao paraíso sem precisar ir para o purgatório. Centenas de milhares de peregrinos atenderam à convocação, espalhando a praga durante a viagem.

As causas da tragédia

Havia muito mais envolvido na tragédia da Peste Negra do que a própria doença. Vários fatores contribuíram para piorar o desastre, entre eles o fanatismo religioso. Um exemplo disso é a doutrina do purgatório. “No fim do século 13, o purgatório estava em toda a parte”, diz o historiador francês Jacques le Goff. No início do século 14, Dante lançou sua obra a Divina Comédia, cujas descrições detalhadas do inferno e do purgatório influenciaram muito as pessoas. Nesse clima religioso, as pessoas encaravam a praga com surpreendente apatia e resignação, achando que ela era um castigo divino. Como veremos, esse conceito pessimista na verdade contribuiu para que a doença se espalhasse. “Nada poderia ter preparado um terreno melhor para a praga se espalhar”, diz o livro The Black Death (A Peste Negra), de Philip Ziegler.
Outro problema foram as repetidas safras ruins na Europa. Em resultado disso, a crescente população do continente estava subnutrida, sem condições de resistir a doenças.

A Peste Negra: praga que assolou a Europa medieval

Do correspondente de Despertai! na França
Era o ano 1347. A praga já havia devastado o Extremo Oriente  e agora chegava às fronteiras orientais da Europa.
OS MONGÓIS que sitiavam Cafa (um posto comercial genovês fortificado, hoje chamado Feodósia, na Criméia) estavam sendo dizimados pela doença misteriosa e, por isso, cessaram o ataque. Mas antes de se retirar, fizeram uma última ofensiva devastadora. Usando catapultas gigantes, lançaram por cima dos muros da cidade os corpos ainda quentes das vítimas da praga. Quando alguns soldados genoveses mais tarde fugiram em suas galés da cidade varrida pela peste, espalharam a doença a cada porto que visitaram.
Em alguns meses, a morte se alastrava pela Europa. Ela espalhou-se rapidamente para o Norte da África, Itália, Espanha, Inglaterra, França, Áustria, Hungria, Suíça, Alemanha, Escandinávia e países bálticos. Em pouco mais de dois anos, mais de um quarto da população da Europa — cerca de 25 milhões de almas — caiu vítima do que foi chamado de “a mais brutal catástrofe demográfica que a humanidade já viu”: a Peste Negra.

E os coquetéis antiaids ?

Os cientistas da ONU anunciaram que o AZT, uma droga simples e relativamente barata, pode reduzir significativamente a transmissão do HIV de mãe para filho. Com a ajuda da Unaids, o custo desse tratamento abaixou para 50 dólares. Além disso, em julho de 1999, os pesquisadores anunciaram um tratamento que parece ser ainda mais eficaz do que o AZT para prevenir a transmissão do vírus HIV de mãe para filho. Trata-se duma droga chamada nevirapina, ao custo de apenas 3 dólares. Especialistas em saúde pública estimam que a nevirapina poderia prevenir a contaminação de até 400.000 recém-nascidos por ano.
No entanto, alguns criticam tratamentos desse tipo, alegando que eles previnem apenas a transmissão de mãe para filho e que, de qualquer forma, a mãe morrerá de Aids, deixando seu bebê órfão. A ONU refuta isso dizendo que é uma alternativa sinistra deixar os bebês contrair Aids e condenar essas vítimas inocentes a uma morte lenta e triste. Eles ainda afirmam que mães contaminadas talvez vivam muitos anos. Lembra-se de Cynthia, mencionada anteriormente? Ela descobriu que era portadora do HIV em 1985, quando seu bebê nasceu, mas ela só ficou doente oito anos depois. Apesar de o bebê ter adquirido o vírus quando nasceu, ele já não o portava mais aos dois anos de idade.

Obstáculos complexos impedem soluções simples

De acordo com Edith White, uma especialista em amamentação e na transmissão do HIV de mãe para filho, nos países industrializados os sanitaristas estão alertando as mães contaminadas com o HIV para não amamentarem seus filhos, visto que isso quase duplica o risco de contaminação. Uma alternativa que parece lógica seria o leite em pó, mas nos países em desenvolvimento — onde teorias idealísticas logo dão lugar à dura realidade — fica difícil colocar em prática essa solução simples.
Um dos obstáculos é de caráter social. Nos países onde a amamentação é um padrão de comportamento, mães que alimentam seus filhos com leite industrializado podem estar revelando sua condição de HIV positivo. Talvez achem que as pessoas vão culpá-las, abandoná-las, ou até mesmo espancá-las quando a situação se tornar pública. Algumas mulheres nessa situação acreditam que não há outra saída a não ser amamentar seu bebê para manter em sigilo sua contaminação com o vírus.
Ainda existem outros obstáculos. Veja por exemplo o caso de Margaret, de 20 anos. Ela nunca fez um exame de Aids, assim como a maioria — pelo menos 95% — das mulheres que moram nas aldeias de Uganda. Mas Margaret tem motivos para estar preocupada. Sua primeira filha morreu e a segunda está debilitada e doente. Ela amamenta o terceiro bebê dez vezes por dia, mesmo com suspeita de contaminação. “Eu nunca teria condições de alimentar meu bebê com leite em pó”, diz ela. Por que não? Margaret comenta que alimentar um bebê com leite em pó é quase o dobro do ganho anual duma família da sua aldeia. Mesmo se fosse grátis, ainda haveria o problema de encontrar água potável para acrescentar ao leite em pó e tornar o alimento seguro para bebês.
Alguns desses obstáculos poderiam ser minimizados se as mães soropositivas tivessem à disposição higiene adequada, quantidade suficiente de substitutos ao leite materno e acesso à água potável. Caro demais? Pode ser. Mesmo assim, para a surpresa de muitos, tornar esses benefícios disponíveis parece ser mais uma questão de estabelecer prioridades do que encontrar fundos. Na realidade, as Nações Unidas relatam que alguns dos países mais pobres gastam cerca de duas vezes mais em armamentos militares do que investem na saúde e na educação

Mães com Aids enfrentam um dilema

CYNTHIA, que mora nas Índias Ocidentais, tinha duas opções: amamentar sua filhinha recém-nascida ou dar leite industrializado. A decisão que tinha de tomar parecia simples, afinal, por décadas os especialistas em saúde pública vêm promovendo o leite materno como o “alimento mais saudável” para bebês. Além disso, em comunidades mais carentes, bebês que se alimentam com leite industrializado têm 15 vezes mais probabilidades de morrer por problemas relacionados com a diarréia do que os bebês que são amamentados. Na verdade, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) relata que cerca de 4.000 crianças morrem diariamente de problemas associados com substitutos do leite materno.
No caso de Cynthia, no entanto, a questão da amamentação incluía outro perigo. Ela havia contraído de seu marido o vírus HIV, que provoca Aids. Daí, depois do parto, Cynthia ficou sabendo que o bebê cuja mãe é soropositiva tem uma possibilidade em 7 de se contaminar por meio da amamentação. Portanto, ela teve de tomar uma decisão dolorosa: expor sua filhinha aos riscos da amamentação ou sujeitá-la aos perigos da alimentação convencional.
Em lugares onde a Aids atingiu proporções epidêmicas, 2 ou 3 em cada 10 mulheres grávidas são soropositivas. Num determinado país, estavam contaminadas mais da metade das grávidas examinadas. “Essas estatísticas assustadoras”, anuncia a Rádio da ONU, “fizeram os cientistas correr em busca dum antídoto”. Para enfrentar essa ameaça, seis órgãos das Nações Unidas juntaram experiência, esforços e recursos para formar a Unaids (Programa das Nações Unidas para a Aids/HIV). Mas o que a Unaids descobriu é que a solução para o dilema da Aids não é tão simples assim.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Custo do Fumo

□ O fumo causa mais sofrimento e morte entre os adultos do que qualquer outra matéria tóxica existente no meio ambiente.

 O custo mundial, em vidas, aproxima-se agora de 2,5 milhões por ano, quase 5 por cento de todas as mortes.

□ Os gastos com saúde, além das perdas econômicas nos [Estados Unidos] vão de US$ 38 bilhões a US$ 95 bilhões, ou de US$ 1,25 a US$ 3,15 o maço. Estes totais não incluem o custo do próprio fumo — cerca de US$ 30 bilhões por ano.

□ Os fumantes passivos têm, talvez, o triplo da probabilidade de morrer de câncer pulmonar que teriam se não ficassem expostos à fumaça do cigarro.

□ As mães fumantes reduzem as capacidades físicas e mentais de seus filhos, e, em muitos países, mais de um quinto das crianças ficam expostas desta forma à fumaça do cigarro.

O Que e Quanto ?

As perguntas comuns sobre o exercício são: Que tipo de exercício devo fazer, e quanto? Isso realmente depende daquilo que a pessoa pretende realizar. Um atleta olímpico tem de treinar-se longa e arduamente para manter-se em forma. Para a maioria das pessoas, o alvo talvez seja perder peso, ficar em forma, gozar de melhor saúde, ou apenas sentir-se bem. Para elas, a maioria dos peritos em saúde concorda que de 20 a 30 minutos de exercícios, três vezes por semana, são necessários para manter-se em boa forma. Mas que tipo de exercícios?

A boa forma física envolve a capacidade física, a idade e a resistência da pessoa, de modo que os exercícios devem visar elevar a taxa de batimentos cardíacos e de respiração durante o treino. Isso é o que é comumente chamado de exercício aeróbico. Correr, andar a passos rápidos, dança aeróbica, pular corda, nadar e andar de bicicleta são formas comuns de exercício aeróbico, cada uma apresentando suas vantagens e desvantagens em termos de conveniência, custo das instalações e do equipamento, possibilidades de ferir-se, e assim por diante.

Outras formas de exercício fortalecem os músculos e modelam o corpo. Estas incluem exercitar-se com aparelhos e pesos. Tais exercícios aumentam a força e a resistência físicas, e podem melhorar a postura e também a aparência da pessoa — tudo isto sendo vantajoso na busca dum corpo em boa forma física.

Que dizer dos exercícios de ginástica de que a maioria de nós se lembra muito bem, dos nossos tempos de estudante? Eles nos faziam um grande bem, quer os tenhamos apreciado naquela época, quer não. Estiramento, dar voltas e contorcer-se tornam flexível o corpo. Dar pulos e mover as pernas para frente aceleram os batimentos cardíacos. Exercícios de flexões abdominais, de flexões dos braços, e de erguer-se com os braços na barra, fortalecem os músculos. Uma grande vantagem de tais exercícios de alongamento, à medida que a pessoa vai envelhecendo é que a pessoa poderá manter sua flexibilidade muscular e continuar ativa por mais tempo.

Por fim, existem os esportes recreativos — o tênis, o racquetball, o softball, o skating, e muitas outras atividades. A vantagem de tais atividades é que são mais divertidas do que as formas monótonas de exercício, e, assim, talvez sejam aquilo de que a pessoa precisa para exercitar-se regularmente. Dependendo de quão perita e vigorosamente a pessoa se empenha neles, tais atividades podem prover ou não o nível contínuo de esforço, como fazem as outras formas de exercício. Todavia, elas ajudam a condicionar o corpo, a melhorar a coordenação, e ampliam a flexibilidade e a agilidade.

Havendo tantas formas de exercício à escolha, o segredo do êxito reside em selecionar uma, ou uma combinação delas, que o leitor aprecie. Isto o ajudará a apegar-se a suas intenções, uma vez que há estudos que mostram que de 60 a 70 por cento dos adultos que começam a exercitar-se param em questão de um mês, mais ou menos. Lembre-se de que o que importa é a regularidade, e não apenas a dose de exercícios. Por empenhar-se em diferentes formas de exercício em horários diferentes, você também dará ao corpo um desenvolvimento equilibrado, adquirindo boa forma física de modo equilibrado.

A sua escolha de atividades também deve ser governada, já de início, por sua idade e por sua condição geral de saúde. Naturalmente, os que têm problemas de saúde deveriam consultar seu médico, antes de iniciarem um programa de exercícios. De qualquer modo, comece lentamente, e aumente os exercícios à medida que vai progredindo neles. Procure conhecer as formas de exercício que escolheu — não faltam livros e instruções sobre o assunto — e seus esforços não só lhe darão prazer, mas lhe trarão benefícios.

O Exercício, a Aptidão Física e a Saúde

Um estudo feito durante 40 anos, de cerca de 17.000 homens, verificou que aqueles que se exercitavam mesmo que apenas uma ou duas horas por semana (consumindo cerca de 500 calorias), apresentavam taxas de mortalidade 15 a 20 por cento menores do que aqueles que não se exercitavam. Aqueles que se exercitavam vigorosamente (queimando 2.000 calorias por semana) apresentavam uma taxa de mortalidade um terço menor. Outros estudos chegaram à mesma conclusão: O exercício regular reduz o risco de pressão arterial alta, de doenças coronarianas, e, talvez, até mesmo de câncer. O exercício regular também ajuda a combater o peso excessivo, a falta de amor-próprio, o stress, a ansiedade, e a depressão.

O motivo de o exercício regular parecer fazer tudo isto é que ele eleva a capacidade física e a resistência da pessoa. Em outras palavras, o exercício regular deixa a pessoa fisicamente apta. Ao passo que a boa forma física não garante a boa saúde, um corpo fisicamente apto terá menos probabilidade de sucumbir às doenças. Ele também se recupera mais rápido quando adoece. A boa forma física poderá contribuir para o bem-estar mental e emocional da pessoa, bem como reduzir os efeitos do envelhecimento.

Ingira Mais Fibras

Reduzir a gordura é apenas parte da história. Alimentos altamente refinados e processados — carregados de farinha branca, açúcar, aditivos químicos, e assim por diante — são totalmente deficientes em fibras. O resultado são as chamadas doenças da civilização: prisão de ventre, hemorróidas, hérnia, diverticulose, câncer colorretal, diabetes, doenças cardiovasculares e outras. “Os homens com baixa ingestão de fibras na dieta apresentam o triplo de risco de morte devido a todas as causas do que os homens com alta ingestão delas”, diz um informe na revista Lancet.

A fibra alimentar desempenha seu papel de dois modos. Ela absorve água, à medida que se move pelo nosso sistema digestivo, e percorre rapidamente o trato digestivo. Peritos em saúde acham que as fibras levam consigo muitos dos agentes prejudiciais e aceleram sua remoção do corpo. Verifica-se que algumas fibras solúveis reduzem os níveis de açúcar e de colesterol LDL no sangue — uma bênção para os diabéticos e os doentes do coração.

Como pode beneficiar-se deste conhecimento sobre as fibras? Se possível, aumente a proporção de frutas, hortaliças e produtos de grão integral em sua dieta. Substitua o pão branco pelo pão de trigo integral, e acrescente cereais integrais ao seu desjejum. O feijão também constitui excelente fonte de fibras. E os amiláceos — batata e arroz — podem ter propriedades anticancerígenas.

Existem, naturalmente, muitos outros aspectos de sua dieta que influem em sua saúde. No entanto, reduzir a gordura e aumentar as fibras são dois aspectos, na dieta da maioria das pessoas, que carecem de urgente atenção.

Reduza a Gordura

Um alto nível de colesterol, um álcool graxo, no sangue é relacionado diretamente com um alto risco de doença cardiovascular. Os portadores de doenças do coração, ou que têm um histórico familiar disso, e os que desejam minimizar seus riscos, fariam bem em manter o colesterol sanguíneo num nível seguro. Que se pode fazer?

A primeira linha de defesa geralmente recomendada é seguir uma dieta pobre em colesterol, encontrado em todos os alimentos de origem animal, tais como carnes, ovos e lacticínios, mas não nos alimentos vegetais. Estudos recentes comprovam, contudo, que apenas comer alimentos ricos em colesterol só exerce um efeito moderado sobre o nível de colesterol sanguíneo. Mas se a dieta também for rica em gorduras saturadas (tais como gorduras animais, gordura e margarina vegetal, e azeite de dendê e óleo de coco), a elevação do colesterol sanguíneo é considerável, para a maioria das pessoas. Assim, a ênfase, nos dias atuais, é ‘reduzir a gordura’. Coma menos carne e sempre magra, retire a gordura visível, remova a pele das aves, e limite o consumo de gema de ovo, de leite integral, de queijos duros, e de alimentos processados que contenham azeite de dendê ou óleo de coco.

Ao passo que as gorduras saturadas têm a tendência de elevar o nível do colesterol sanguíneo, os óleos líquidos não saturados (de oliva, de soja, de açafrão, de milho, e outros óleos vegetais), peixes gordurosos, e mariscos, operam de forma exatamente oposta. Alguns destes podem até ajudar a elevar a quantidade relativa do chamado colesterol bom, o HDL (lipoproteína de alta densidade), no sangue, ou reduzir o nível do tipo prejudicial de colesterol, o LDL (lipoproteína de baixa densidade).

A Dieta e a Saúde

“Se você . . . não fumar nem beber em excesso, sua escolha de alimentação pode ter mais influência sobre suas perspectivas de saúde a longo prazo do que qualquer outra medida que possa tomar.” — Dr. C. Everett Koop, ex-Diretor-Geral de Saúde dos EUA.

Nos anos recentes, os peritos em saúde têm falado abertamente sobre os efeitos prejudiciais que certos aspectos da dieta nas nações industrializadas exercem sobre a saúde das pessoas. Além de trazer à atenção algumas coisas, tais como o fumo, o álcool, o sal e o açúcar, têm-se dado ênfase a que a dieta de muitas pessoas é por demais rica em gorduras e em colesterol, e pobre demais em fibras.

“De máxima preocupação”, prossegue o Dr. Koop, “é nossa excessiva ingestão de gordura na dieta, e sua relação com o risco de doenças crônicas, tais como doenças coronarianas, alguns tipos de câncer, diabetes, pressão arterial alta, derrames cerebrais e obesidade”. Similarmente, o cirurgião britânico Dr. Denis Burkitt, e outros, têm trazido à atenção o vínculo existente entre a deficiência alimentar de fibras e as doenças coronarianas, os cânceres intestinais, os distúrbios gastrointestinais, o diabetes, e outras doenças.

Nem todos os pormenores de como a nossa dieta influi em nossa saúde são compreendidos, nem existe total acordo entre os profissionais de saúde. Todavia, existem alguns fatos quanto à saúde que valem realmente a pena considerarmos.

Hábitos e Vícios

Outra coisa que influi em nosso bem-estar emocional e físico é o modo como tratamos nosso corpo. Com razoável esforço de nossa parte — alimentar-nos adequadamente, exercitar-nos e descansar o necessário, manter-nos limpos, e assim por diante — nosso corpo cuidará de si mesmo. No entanto, se habitualmente abusarmos dele, mais cedo ou mais tarde ele vai desgastar-se, e sofreremos as conseqüências.

O conselho da Bíblia é: “Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito.” (2 Coríntios 7:1) Como podemos aplicar tais conselhos, e quais são os benefícios? Considere o seguinte informe, feito pelo “Worldwatch Institute”, com sede em Washington, EUA: “O fumo é uma epidemia que cresce 2,1 por cento ao ano, mais rápido do que a população mundial. . . . O crescimento no consumo do fumo diminuiu brevemente no início dos anos oitenta, primariamente por motivos econômicos, mas, está reassumindo seu rápido aumento. Mais de um bilhão de pessoas fumam agora, consumindo quase 5 trilhões de cigarros por ano, uma média de mais de meio maço por dia.”

Qual tem sido o efeito desta ‘epidemia crescente’? O quadro acompanhante fornece alguns dados que levam à profunda reflexão. A lista não é, de forma alguma, completa, mas a mensagem é clara: O vício ao cigarro é, a um só tempo, poderoso e custoso. Trata-se dum hábito maculador que prejudica a saúde, tanto dos viciados como dos que se acham ao redor dele.

Que dizer dos esforços de largar tal hábito? Apesar de todas as campanhas antitabagistas, o êxito tem sido mínimo em escala mundial. Isto se dá porque largar o hábito de fumar é uma estrênua e penosa batalha. As pesquisas mostram que apenas 1 em cada 4 fumantes tem êxito em largar tal hábito. Pelo visto, todas as advertências de que fumar é um risco para a saúde não constituem suficiente incentivo.

Entretanto, o supracitado conselho da Bíblia, junto com sua injunção aos cristãos de amar o próximo como a si mesmos, têm movido milhares de pessoas que agora são Estudantes da Biblia, a parar de fumar. Seja em seus Salões do Reino, onde se reúnem por várias horas toda semana, seja em seus congressos, onde milhares delas se reúnem por vários dias, o leitor não verá nenhuma delas com um cigarro. A disposição delas de aceitar e de aplicar as diretrizes da Bíblia lhes dá a necessária determinação de realizar aquilo que outros deixam de atingir.

Outras práticas prejudiciais incluem o abuso do álcool, a toxicomania, o sexo promíscuo, com possíveis doenças mortíferas resultantes, e uma infinidade de outros aflitivos problemas sociais e de saúde. Embora as autoridades sanitárias encontrem-se sob grande pressão de lidar com tais problemas, o leitor notará que a Bíblia fornece conselhos que são tanto razoáveis como práticos. — Provérbios 20:1; Atos 15:20, 29; 1 Coríntios 6:13, 18.

As Emoções e os Conceitos Sobre a Vida

Por exemplo, “a ciência médica reconhece que as emoções, tais como o medo, o pesar, a inveja, o ressentimento e o ódio são responsáveis pela maioria de nossas doenças”, disse o Dr. McMillen, supracitado. “As estimativas variam de 60 por cento a cerca de 100 por cento.”

Que se pode fazer para remediar isto? É interessante que, há uns 3.000 anos, a Bíblia indicava: “O coração calmo é a vida do organismo carnal, mas o ciúme é podridão para os ossos.” (Provérbios 14:30) Mas como é que a pessoa consegue “um coração calmo”? O conselho da Bíblia é: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade.” (Efésios 4:31) Em outras palavras, para usufruir boa saúde física, temos de aprender a controlar nossas emoções.

Isto, por certo, é contrário ao conselho de alguns psiquiatras e psicólogos modernos. Muitas vezes, eles recomendam que deixemos extravasar nossos sentimentos, em vez de tentarmos controlá-los. Explodir e dar vazão à ira talvez tragam alívio temporário para aquele que se sente encurralado e perturbado. Mas o que isto causa ao relacionamento com aqueles que o rodeiam, e que tipo de reação poderá provocar da parte deles? Não é difícil imaginar a tensão e o desgaste nervoso, para não se mencionar os possíveis danos físicos, que resultariam se todos extravasassem seus sentimentos, em vez de tentar controlá-los. Isso meramente cria um círculo vicioso que jamais termina.

Naturalmente, não é fácil dominar estas emoções prejudiciais, especialmente se a pessoa estiver inclinada a ceder à ira e à raiva. É por isso que a Bíblia prossegue dizendo: “Tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros.” (Efésios 4:32) Em outras palavras, ela diz que deveríamos substituir os sentimentos negativos prejudiciais pelos positivos.

Qual é o resultado, para nós, de tais sentimentos positivos para com outros? “O importar-se é biológico”, escreve o Dr. James Lynch em seu livro The Broken Heart (O Coração Partido). “O mandato de ‘amar o próximo como a ti mesmo’ não é apenas um mandato moral é também um fisiológico.” A respeito dos benefícios que tais relacionamentos positivos trazem, acrescenta Robert Taylor, um psiquiatra: “Saber que existem pessoas a quem você pode recorrer, em tempos de necessidade, pode fornecer sentimentos importantíssimos de segurança, de otimismo e de esperança — todos os quais podem constituir grandes antídotos para o stress.” Assim, ao passo que a medicina moderna pode tentar apresentar curas para algumas das chamadas doenças psicossomáticas, as diretrizes simples da Bíblia podem, já de início, impedir que elas ocorram. Quem quer que esteja disposto a aplicar as orientações da Bíblia se beneficiará emocional e fisicamente.

APLICAÇÃO DA RAZOABILIDADE

O discípulo Tiago escreveu que “a sabedoria de cima é . . . razoável”. (Tiago 3:17) Embora o cristão não seja perito em medicina, esforçar-se ele a ser razoável pode ajudá-lo na avaliação dos métodos de diagnóstico (ou de teste) e das terapias.

Naturalmente, precisamos compreender que as muitas questões de saúde possuem diferentes ângulos; o cristão ativo não pode ficar a par de tudo. Mas, quando ele necessita de tratamento e se lhe apresenta uma recomendação, ele pode perguntar-se: ‘Parece a terapia sugerida razoável e coerente com o conhecimento sobre o corpo e a doença? Ou parece estranha, até mesmo espetacular em suas afirmações? Estou sendo influenciado a aceitar este tratamento por pessoas desinformadas ou que têm interesses financeiros nisso? Se tiver dúvidas a respeito, deveria aguardar até que venham a luz mais fatos?’

Tais perguntas talvez parecem elementares, mas o fato de alguns tratamentos esquisitos se terem tornado populares no passado mostra o valor de se considerar essas perguntas. Isso pode ser também ilustrado por uma recente experiência: Certa senhora, de instrução mediana e que trabalhava num escritório, consultou certo clínico que enfatizava um rigoroso tratamento dietético. Mais tarde ela contou aos amigos que se lhe mostrara “garrafas contendo tumores que pacientes haviam eliminado”, até mesmo um “tumor cerebral”. A razoabilidade o induziria a raciocinar: Será que uma pessoa mediana saberia a aparência real dum tumor, e, portanto, como poderia ela identificar um tumor verdadeiro, não importa como este supostamente tivesse sido “eliminado”? Também, visto que o cérebro fica dentro da cavidade craniana, como poderia alguém “eliminar” um tumor cerebral através do tubo intestinal ou de qualquer outra maneira?

Por fim, muitos dos testes ou tratamentos do passado que se mostraram inúteis foram promovidos mediante afirmações sobre “substancial milagrosas”, “forças do corpo” incomuns, ou estranhos métodos pelos quais o examinador fazia ‘leituras’, talvez por meio dum pêndulo, ou por examinar uma parte do corpo que não parecia estar relacionada com o que era diagnosticado. Apelavam para a emoção, o mistério, ou mesmo para as forças espíritas, não para a razoabilidade. — Veja Levítico 19:26.

SER SELETIVO QUANTO A TRATAMENTOS

Ao tomar decisões quanto a questões médicas, ou de saúde, é bom reconhecer que mesmo essas questões podem ser influenciadas pela popularidade ou por modas. Talvez se lembre de tratamentos que em certa época foram populares, mas que agora são encarados de maneira bem diferente. Lembra-se de quando os médicos usavam raios X para o acne, extraíam as amígdalas por motivos insignificantes, ou prescreviam os novos medicamentos à base de sulfa ou a penicilina para quase qualquer infecção? As coisas mudaram. Embora tais terapias sejam apropriadas em alguns casos, a experiência e a pesquisa têm revelado alguns efeitos colaterais indesejáveis, ou indicado que devem ser empregadas de maneira bem seletiva.

Se os médicos, instruídos no “método científico” e treinados para ter cautela quanto a novos medicamentos ou novas terapias, podem ser influenciados pela opinião popular, quanto mais fácil será para o leigo perder o equilíbrio diante das modas passageiras relacionadas com o cuidado da saúde E isso acontece com milhões de pessoas. Com freqüência, têm adotado certo tratamento de limitado valor terapêutico, mas do qual pessoas não habilitadas têm feito muito mal uso. Outras “curas” que se tornaram populares eram na verdade totalmente ineficazes, pois eram fraudes. Eram promovidas por homens que tinham prazer em separar as pessoas doentes de seu dinheiro. E, o que deve ser de grande preocupação para os cristãos, alguns dos tratamentos populares parecem ter-se envolvido com ‘poderes mágicos’, ou espiritismo, que a Bíblia condena. — Isaías 1:13; Deuteronômio 18:10-12.

‘Mas’, perguntam alguns, ‘como posso saber se certo tratamento é uma fraude?’ Isso pode ser difícil, pois muitos dos tratamentos do passado que praticamente todo mundo reconhece agora como inúteis levavam nomes que soavam científicos. E as publicações distribuídas, que falavam a respeito destes, ofereciam explicações que alguns acharam plausíveis. Onde, então, podemos encontrar ajuda?

A "boa saúde" e a razoabilidade cristã

O APÓSTOLO Paulo escreveu aos cristãos da antiga Filipos: “Seja a vossa razoabilidade conhecida de todos os homens.” Ele incentivava assim a eles, e a todos os cristãos desde então, a demonstrarem o espírito de moderação e de equilíbrio racional. — Filipenses 4:5.

Precisamos de razoabilidade no que tange à nossa saúde. Por exemplo, precisamos evitar excessos ou extremos no que comemos, e precisamos ter suficiente exercício e descanso. Nossa atitude para com tratamentos deve do mesmo modo basear-se na razão, refletindo cuidado para não nos deixarmos influenciar emocionalmente por alguma moda passageira relacionada com a saúde. A razoabilidade é necessária também para mantermos o equilíbrio entre nossa saúde espiritual e nossa saúde física precisamos ‘certificar-nos das coisas mais importantes’, para que a nossa preocupação com a saúde não relegue o reino de Deus a segundo plano. — Filipenses 1:10.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Orientações para um Modo de Vida Saudável

Em geral, os peritos concordam que a boa saúde depende de três fatores principais: alimentação equilibrada, exercícios regulares e um modo de vida responsável. Certamente não há falta de informações sobre estes assuntos, e, em sua grande parte, elas são práticas e benéficas. Algumas idéias pertinentes e atuais sobre como a alimentação e os exercícios se relacionam com sua saúde são apresentados no quadro “A Dieta e a Saúde”, e “O Exercício, a Aptidão Física e a Saúde”.

Embora muitas informações úteis se achem disponíveis, os fatos mostram, lamentavelmente, que obter boa saúde não se acha bem no topo da lista de prioridades da maioria das pessoas. Entre outras coisas, “todo o mundo sabe o que se exige para perder peso”, comentou a Dra. Marion Nestle, do Escritório de Prevenção de Doenças e de Promoção da Saúde, de Washington, EUA, “todavia, o predomínio do excesso de peso não parece estar mudando muito”. De acordo com o escritório dela, cerca de 1 de cada 4 pessoas nos Estados Unidos tem mais de 20 por cento de excesso de peso.

Similarmente, um estudo feito pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, dos EUA, revela: “Em geral, entre 1977 e 1983, parece ter havido um aumento de práticas desfavoráveis de saúde”. Quais são estas “práticas desfavoráveis de saúde”? Não são problemas a respeito dos quais o indivíduo não tem controle, tais como a desnutrição, as epidemias, ou a poluição. Antes, são fatores pelos quais o indivíduo é inteiramente responsável — práticas tais como fumar, comer demais, beber em excesso e a toxicomania.

É claro que se precisa de mais do que de informações médicas ou científicas sobre o que fazer para ter boa saúde. Precisamos de maior incentivo para viver de acordo com nossa responsabilidade individual. Precisamos ser motivados, não só a fazer coisas que contribuam para a boa saúde, mas também a evitar as coisas que a estraguem. Onde podemos obter tal incentivo e motivação que nos ajudem e levar vidas saudáveis?

Embora a maioria das pessoas não se dê conta disso, um autor-médico, S. I. McMillen, comentou no prefácio de seu livro None of These Diseases (Nenhuma Destas Doenças): “Estou confiante de que o leitor ficará intrigado de descobrir que as orientações da Bíblia podem salvá-lo de certas doenças infecciosas, de muitos cânceres letais, e de um longo ordálio de doenças psicossomáticas que estão aumentando, malgrado todos os esforços da medicina moderna. . . . A paz não vem em cápsulas.”

A boa saúde - qual a sua parte nisso ?

“EM PARTE, como resultado de alguns êxitos espetaculares da medicina moderna, em muitas partes do mundo tem-se difundido uma atitude de que a saúde é algo que os médicos fornecem às pessoas, em vez de ser algo que a comunidade e os indivíduos obtêm por si mesmos.” Assim declarou o Dr. Halfdan Mahler, na edição em inglês de A Saúde do Mundo, revista oficial da Organização Mundial da Saúde.

Naturalmente, os médicos e os hospitais deveras contribuem muito para nossa saúde e bem-estar. Todavia, eles desempenham, essencialmente, um papel curativo. Procuramos seus serviços quando algo vai mal, mas raramente pensamos neles quando nos sentimos bem. O que, então, podemos fazer para ter boa saúde?

Dicas Importantes

As seis doenças são difteria, sarampo, poliomielite, tétano, tuberculose e coqueluche. A OMS recomenda que a hepatite B, que mata bem mais pessoas do que a AIDS atualmente o faz, também seja incluída nos programas de imunização.

Belisque levemente a pele do abdômen da criança. Se levar mais de dois segundos para a pele voltar ao estado normal, a criança pode estar gravemente desidratada.

Saúde e assistência médica

Em geral os pobres só conhecem dois tipos de assistência médica: (1) a disponível, mas que não está ao seu alcance, e (2) a que está ao seu alcance, mas não está disponível. Dona Maria, um dos quase 650.000 favelados de São Paulo, explica o primeiro tipo: “Para nós, assistência médica boa é como uma mercadoria numa vitrine de um shopping luxuoso. Podemos olhar, mas não é para nós.” (Revista Vandaar) De fato, Dona Maria mora numa cidade em que os hospitais fazem cirurgias de ponte de safena, transplantes, tomografia axial computadorizada e outros tratamentos e exames high tech. Mas essas coisas não estão ao seu alcance.

Se a assistência médica que não está ao alcance de todos é como uma mercadoria de luxo num shopping center, então a que está ao alcance de todos é mais como uma mercadoria barata que centenas de fregueses, acotovelados, querem comprar ao mesmo tempo. Recentemente, uma notícia num país da América do Sul disse: ‘Os doentes ficam até dois dias na fila para obter consulta. Não há vagas. Os hospitais públicos estão sem dinheiro. Faltam remédios e até comida. O atendimento médico no país está doente.’

Para proporcionar melhor assistência médica aos menos favorecidos, a OMS vem gradualmente mudando o enfoque do seu trabalho, do controle de doenças para a promoção da saúde, orientando as pessoas sobre prevenção e controle de doenças. Programas que estimulam os cuidados básicos de saúde, como nutrição adequada, água potável e saneamento básico, diz UN Chronicle, têm resultado numa “melhora substancial na saúde global”. Esses programas o beneficiam? Um deles talvez já o tenha beneficiado. Qual? O EPI (sigla, em inglês, de Programa Expandido de Imunização).

“O vacinador tomou o lugar do carteiro como o visitante mais conhecido em casa e no povoado”, diz uma reportagem sobre o EPI. Na última década, a vacinação foi realizada do Amazonas ao Himalaia e, até 1990, informou a OMS, 80% dos bebês do mundo haviam sido vacinados contra seis doenças mortíferas. Anualmente, o EPI salva a vida de mais de três milhões de crianças. Outras 450.000 que poderiam ter ficado inválidas andam, correm e brincam. Assim, para prevenir doenças, muitos pais decidem que os filhos devem ser vacinados.

Às vezes não dá para evitar uma doença, mas é possível controlá-la. “Calcula-se que bem mais da metade dos cuidados de saúde”, diz a revista World Health, “fica a cargo da própria pessoa ou da família”. Algo que a própria pessoa pode fazer é uma mistura simples e barata de sal, açúcar e água limpa, chamada de solução de reidratação oral (SRO).

Muitos agentes de saúde consideram a terapia de reidratação oral, incluindo o uso da SRO, como o tratamento mais eficaz contra a desidratação por diarréia. Se fossem usados no mundo todo para controlar os casos de diarréia, que chegam a 1,5 bilhão por ano nos países em desenvolvimento, os pequenos pacotes de sais da SRO, que custam só dez centavos de dólar, poderiam salvar a vida de muitas crianças dos 3,2 milhões de crianças que morrem de doenças diarréicas todo ano.

Saúde e ambiente em casa

O ambiente que mais influi sobre a saúde, diz o livro The Poor Die Young (Os Pobres Morrem Cedo), é sua casa e a vizinhança. O ambiente pode ser um perigo para a saúde por causa da água. Infecções, doenças de pele, diarréia, cólera, disenteria, febre tifóide e outras doenças são causadas por quantidade insuficiente de água e por água não-potável.

Se basta abrir uma torneira para lavar as mãos, você talvez ache difícil imaginar quanto tempo as pessoas que não têm água encanada em casa gastam para conseguir água todo dia. Em muitos casos, mais de 500 pessoas usam uma única bica. É preciso esperar. Mas quem tem baixa renda trabalha longas horas, e esperar, diz o livro Environmental Problems in Third World Cities (Problemas Ambientais em Cidades do Terceiro Mundo), “consome tempo que poderia ser usado para aumentar os rendimentos”. Não é de admirar que, para poupar tempo, uma família de seis pessoas muitas vezes leve para casa menos do que os 30 baldes de água que uma família desse tamanho necessita por dia. Com isso há bem pouca água para lavar alimentos, louça e roupas e para higiene pessoal. Isso gera circunstâncias que atraem piolhos e moscas, os quais põem a saúde da família em perigo.

Pense na seguinte situação. Se você dependesse de uma bicicleta para chegar ao trabalho, num lugar distante, acharia perda de tempo gastar algum tempo toda semana para lubrificar a corrente, ajustar os freios ou substituir um ou outro raio de uma das rodas? Não, porque você entende que, mesmo que ganhasse algumas horas por não fazer a devida manutenção, talvez perdesse um dia inteiro de trabalho mais à frente, quando a bicicleta quebrasse. Da mesma forma, você talvez ganhe algumas horas e um pouco mais de dinheiro toda semana se não buscar água em quantidade suficiente para manter a saúde, mas depois talvez perca muitos dias e bastante dinheiro quando adoecer por não se cuidar direito.

A família pode fazer da tarefa de buscar água um empreendimento conjunto. Embora a cultura local talvez dite que essa tarefa é serviço da mulher e dos filhos, o marido que se interessa pelo bem-estar da família não se esquiva de usar sua força muscular para também ir buscar água.

No entanto, com a água já em casa, surge um segundo problema — mantê-la limpa. Especialistas em saúde pública aconselham: não armazene a água de beber e a água usada para outros fins no mesmo lugar. Sempre cubra o reservatório com uma tampa que vede bem. Deixe a água descansar um pouco para que as impurezas sedimentem. Não toque na água com os dedos ao tirá-la; use uma vasilha limpa de cabo comprido. Limpe os reservatórios regularmente com uma solução alvejante, enxaguando-os depois com água limpa. E a água da chuva? Sem dúvida é muito econômica (desde que chova!) e pode ser boa para consumo se não arrastar sujeira para dentro do reservatório e se o reservatório tiver proteção contra insetos, roedores e outros animais.

Quando não há certeza de que a água é limpa, a OMS sugere que se acrescente uma substância à base de cloro, como hipoclorito de sódio ou hipoclorito de cálcio. Funciona, e é barato. No Peru, por exemplo, esse método custa à família mediana menos de dois dólares por ano.

Suas atitudes e práticas e sua saúde parte 2

Com todas essas vantagens, seria de esperar que o aleitamento materno estivesse em alta. No entanto, agentes de saúde nas Filipinas relatam que o aleitamento materno ali é uma prática “seriamente ameaçada de extinção”, e um estudo no Brasil mostrou que um dos principais fatores associados com a mortalidade infantil por infecções respiratórias é a “falta do aleitamento materno”. Mas seu bebê pode escapar desse destino. A escolha é sua.

No entanto, os esforços da mãe de proteger a saúde do bebê muitas vezes são minados por atitudes e práticas nada saudáveis de outros membros da família. Veja, por exemplo, o caso de uma senhora no Nepal, que vive num aposento úmido com o marido e a filhinha de três anos. O cubículo, diz a revista Panoscope, se enche de fumaça da “cozinha” e de cigarro. A criança está com infecção respiratória. “Não tenho como fazer meu marido parar de fumar”, lamenta essa senhora. “Agora compro cigarro para o meu marido e remédios para a minha filha.”

Lamentavelmente, seu dilema está ficando cada vez mais comum à medida que um número sempre maior de pessoas nos países em desenvolvimento desperdiça em cigarro o dinheiro de que tanto precisa. De fato, para cada pessoa que pára de fumar na Europa ou nos Estados Unidos, duas começam a fumar na América Latina ou na África. Boa parte da culpa é dos anúncios enganosos, diz o livro holandês Roken Welbeschouwd. Lemas publicitários como “Varsity: para aquela deliciosa sensação de bem-estar” e “Gold Leaf: cigarros muito importantes para pessoas muito importantes” convencem os pobres de que cigarro, progresso e prosperidade andam de mãos dadas. Mas é justamente o contrário. O fumo torra seu dinheiro e arruína sua saúde.

Pense no seguinte: toda vez que a pessoa fuma um cigarro, ela encurta sua expectativa de vida em dez minutos e aumenta o risco de ataque cardíaco e derrame cerebral, bem como de câncer de pulmão, de garganta e da boca, e outras doenças. A revista UN Chronicle diz: “O fumo é em muito a maior causa evitável de morte prematura e invalidez no mundo.” Note que a revista diz “causa evitável”. Você pode parar de fumar.

Suas atitudes e práticas e sua saúde

Desses quatro fatores, suas atitudes e práticas são o que mais está na sua esfera de controle. Melhorar nesse respeito pode ser de ajuda. É verdade que a pobreza limita as mudanças que você pode fazer na alimentação e nos hábitos, mas as coisas podem ser muito diferentes se você lançar mão das opções que estão à sua disposição. Veja o seguinte exemplo.

A mãe geralmente pode escolher entre amamentar o bebê ao peito ou com a mamadeira. O aleitamento materno, diz o Fundo das Nações Unidas para a Infância, é “a melhor opção, tanto para o corpo como para o bolso”. O leite materno, dizem os especialistas, é “o melhor alimento que há para a saúde”, porque proporciona ao bebê “precisamente as concentrações certas de proteína, gordura, lactose, vitaminas, minerais e oligoelementos necessários para o crescimento harmonioso”. O leite materno também transporta proteínas de defesa, ou anticorpos, da mãe para o bebê, dando ao recém-nascido uma vantagem inicial no combate às doenças.

O melhor é amamentar ao peito, especialmente em países tropicais cujo saneamento é precário. O leite materno não é como o da mamadeira: não pode ser diluído excessivamente para economizar, é impossível errar no preparo, e sempre é servido num recipiente limpo. Já “o bebê amamentado com a mamadeira numa comunidade pobre”, diz Synergy, um informe da Sociedade Canadense para a Saúde Internacional, “tem aproximadamente 15 vezes mais probabilidade de morrer de uma doença diarréica e quatro vezes mais probabilidade de morrer de pneumonia do que o bebê que é amamentado exclusivamente ao peito”.

E há a vantagem financeira. Nos países em desenvolvimento, o leite em pó é caro. No Brasil, por exemplo, a mamadeira pode consumir um quinto da renda mensal das famílias pobres. O dinheiro economizado no aleitamento materno pode proporcionar refeições mais saudáveis para toda a família — incluindo a mãe.

Fatores que determinam sua saúde e o que você pode fazer a respeito

SAÚDE não é como arroz ou farinha de trigo; não pode ser distribuída por equipes de ajuda humanitária. Não vem em sacos, porque não é uma mercadoria, mas uma condição. “Saúde”, define a OMS (Organização Mundial da Saúde), “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social”. Mas o que determina o grau desse bem-estar?

Pode-se construir uma casa modesta usando-se tábuas, pregos e chapas corrugadas, mas as várias partes da casa em geral são sustentadas por quatro colunas de canto. A saúde também é determinada por vários fatores, todos relacionados com quatro “colunas”: (1) atitudes e práticas, (2) ambiente, (3) assistência médica e (4) constituição biológica. Assim como você pode reforçar a casa melhorando a qualidade das colunas, você pode melhorar a saúde aprimorando a qualidade desses fatores. A questão é: como fazer isso com recursos limitados?

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