Portanto, a peste deu ímpeto a mudanças políticas, religiosas e sociais. Antes dela, a classe culta na Inglaterra em geral falava francês. Mas devido à morte de muitos professores de francês, a língua inglesa ganhou mais importância que a francesa na Grã-Bretanha. Houve também mudanças religiosas. Como menciona a historiadora francesa Jacqueline Brossollet, devido à diminuição de candidatos ao sacerdócio, “a Igreja muitas vezes teve de recrutar pessoas ignorantes e apáticas”. Brossollet afirma que “a decadência de centros de estudo e fé [da Igreja] foi uma das causas da Reforma”.
A Peste Negra sem dúvida deixou sua marca na arte, pois a morte tornou-se um tema artístico comum. A famosa dança macabra, gênero que em geral representa esqueletos e cadáveres, tornou-se uma alegoria popular sobre o poder da morte. Incertos acerca do futuro, muitos sobreviventes da praga abandonaram todas as restrições morais. Assim, a moralidade chegou ao fundo do poço. Visto que a Igreja não conseguira evitar a Peste Negra, “o homem medieval achou que sua Igreja o havia decepcionado”. (The Black Death) Alguns historiadores dizem também que as mudanças sociais que resultaram da Peste Negra promoveram o individualismo e a iniciativa, aumentando a mobilidade social e econômica — os precursores do capitalismo.
A Peste Negra também obrigou os governos a instalar sistemas de saneamento. Depois que a praga acabou, Veneza tomou medidas para limpar as ruas. De modo similar, na França, o Rei João II, o Bom, ordenou que as ruas fossem limpas a fim de fazer face à ameaça de epidemias. O rei mandou fazer isso depois de saber que um antigo médico grego havia salvado Atenas de uma praga limpando e lavando as ruas. Muitas ruas medievais, que haviam sido esgotos a céu aberto, foram finalmente saneadas.
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