Um dos obstáculos é de caráter social. Nos países onde a amamentação é um padrão de comportamento, mães que alimentam seus filhos com leite industrializado podem estar revelando sua condição de HIV positivo. Talvez achem que as pessoas vão culpá-las, abandoná-las, ou até mesmo espancá-las quando a situação se tornar pública. Algumas mulheres nessa situação acreditam que não há outra saída a não ser amamentar seu bebê para manter em sigilo sua contaminação com o vírus.
Ainda existem outros obstáculos. Veja por exemplo o caso de Margaret, de 20 anos. Ela nunca fez um exame de Aids, assim como a maioria — pelo menos 95% — das mulheres que moram nas aldeias de Uganda. Mas Margaret tem motivos para estar preocupada. Sua primeira filha morreu e a segunda está debilitada e doente. Ela amamenta o terceiro bebê dez vezes por dia, mesmo com suspeita de contaminação. “Eu nunca teria condições de alimentar meu bebê com leite em pó”, diz ela. Por que não? Margaret comenta que alimentar um bebê com leite em pó é quase o dobro do ganho anual duma família da sua aldeia. Mesmo se fosse grátis, ainda haveria o problema de encontrar água potável para acrescentar ao leite em pó e tornar o alimento seguro para bebês.
Alguns desses obstáculos poderiam ser minimizados se as mães soropositivas tivessem à disposição higiene adequada, quantidade suficiente de substitutos ao leite materno e acesso à água potável. Caro demais? Pode ser. Mesmo assim, para a surpresa de muitos, tornar esses benefícios disponíveis parece ser mais uma questão de estabelecer prioridades do que encontrar fundos. Na realidade, as Nações Unidas relatam que alguns dos países mais pobres gastam cerca de duas vezes mais em armamentos militares do que investem na saúde e na educação
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