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quarta-feira, 31 de março de 2010

Mães com Aids enfrentam um dilema

CYNTHIA, que mora nas Índias Ocidentais, tinha duas opções: amamentar sua filhinha recém-nascida ou dar leite industrializado. A decisão que tinha de tomar parecia simples, afinal, por décadas os especialistas em saúde pública vêm promovendo o leite materno como o “alimento mais saudável” para bebês. Além disso, em comunidades mais carentes, bebês que se alimentam com leite industrializado têm 15 vezes mais probabilidades de morrer por problemas relacionados com a diarréia do que os bebês que são amamentados. Na verdade, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) relata que cerca de 4.000 crianças morrem diariamente de problemas associados com substitutos do leite materno.
No caso de Cynthia, no entanto, a questão da amamentação incluía outro perigo. Ela havia contraído de seu marido o vírus HIV, que provoca Aids. Daí, depois do parto, Cynthia ficou sabendo que o bebê cuja mãe é soropositiva tem uma possibilidade em 7 de se contaminar por meio da amamentação. Portanto, ela teve de tomar uma decisão dolorosa: expor sua filhinha aos riscos da amamentação ou sujeitá-la aos perigos da alimentação convencional.
Em lugares onde a Aids atingiu proporções epidêmicas, 2 ou 3 em cada 10 mulheres grávidas são soropositivas. Num determinado país, estavam contaminadas mais da metade das grávidas examinadas. “Essas estatísticas assustadoras”, anuncia a Rádio da ONU, “fizeram os cientistas correr em busca dum antídoto”. Para enfrentar essa ameaça, seis órgãos das Nações Unidas juntaram experiência, esforços e recursos para formar a Unaids (Programa das Nações Unidas para a Aids/HIV). Mas o que a Unaids descobriu é que a solução para o dilema da Aids não é tão simples assim.

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