O ambiente que mais influi sobre a saúde, diz o livro The Poor Die Young (Os Pobres Morrem Cedo), é sua casa e a vizinhança. O ambiente pode ser um perigo para a saúde por causa da água. Infecções, doenças de pele, diarréia, cólera, disenteria, febre tifóide e outras doenças são causadas por quantidade insuficiente de água e por água não-potável.
Se basta abrir uma torneira para lavar as mãos, você talvez ache difícil imaginar quanto tempo as pessoas que não têm água encanada em casa gastam para conseguir água todo dia. Em muitos casos, mais de 500 pessoas usam uma única bica. É preciso esperar. Mas quem tem baixa renda trabalha longas horas, e esperar, diz o livro Environmental Problems in Third World Cities (Problemas Ambientais em Cidades do Terceiro Mundo), “consome tempo que poderia ser usado para aumentar os rendimentos”. Não é de admirar que, para poupar tempo, uma família de seis pessoas muitas vezes leve para casa menos do que os 30 baldes de água que uma família desse tamanho necessita por dia. Com isso há bem pouca água para lavar alimentos, louça e roupas e para higiene pessoal. Isso gera circunstâncias que atraem piolhos e moscas, os quais põem a saúde da família em perigo.
Pense na seguinte situação. Se você dependesse de uma bicicleta para chegar ao trabalho, num lugar distante, acharia perda de tempo gastar algum tempo toda semana para lubrificar a corrente, ajustar os freios ou substituir um ou outro raio de uma das rodas? Não, porque você entende que, mesmo que ganhasse algumas horas por não fazer a devida manutenção, talvez perdesse um dia inteiro de trabalho mais à frente, quando a bicicleta quebrasse. Da mesma forma, você talvez ganhe algumas horas e um pouco mais de dinheiro toda semana se não buscar água em quantidade suficiente para manter a saúde, mas depois talvez perca muitos dias e bastante dinheiro quando adoecer por não se cuidar direito.
A família pode fazer da tarefa de buscar água um empreendimento conjunto. Embora a cultura local talvez dite que essa tarefa é serviço da mulher e dos filhos, o marido que se interessa pelo bem-estar da família não se esquiva de usar sua força muscular para também ir buscar água.
No entanto, com a água já em casa, surge um segundo problema — mantê-la limpa. Especialistas em saúde pública aconselham: não armazene a água de beber e a água usada para outros fins no mesmo lugar. Sempre cubra o reservatório com uma tampa que vede bem. Deixe a água descansar um pouco para que as impurezas sedimentem. Não toque na água com os dedos ao tirá-la; use uma vasilha limpa de cabo comprido. Limpe os reservatórios regularmente com uma solução alvejante, enxaguando-os depois com água limpa. E a água da chuva? Sem dúvida é muito econômica (desde que chova!) e pode ser boa para consumo se não arrastar sujeira para dentro do reservatório e se o reservatório tiver proteção contra insetos, roedores e outros animais.
Quando não há certeza de que a água é limpa, a OMS sugere que se acrescente uma substância à base de cloro, como hipoclorito de sódio ou hipoclorito de cálcio. Funciona, e é barato. No Peru, por exemplo, esse método custa à família mediana menos de dois dólares por ano.
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