As autoridades chegaram à conclusão de que os problemas de saúde da humanidade não são solucionados simplesmente por terem mais remédios, mais médicos, ou mais hospitais, embora estes, sem dúvida, seriam um paliativo. Antes, requer-se mudanças radicais no modo de vida das pessoas e na maneira com que as pessoas tratam o ambiente. Por exemplo, o Dr. Halfdan Mahler, diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), escreveu num ensaio sobre o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril de 1983:
“O que podem as pessoas fazer quanto à saúde? Para citar alguns exemplos, podem tomar ação individual e comunitária para assegurar que tenham suficiente alimento do tipo correto. Podem reunir-se para tirar o máximo proveito de qualquer suprimento de água potável que esteja disponível, ou que possa tornar-se disponível, assegurando-se de que seja protegido contra a poluição. Podem insistir em normas aceitáveis de higiene nos lares e nos arredores deste, nos mercados e nas lojas, nas escolas, nas fábricas, em cantinas e em restaurantes. Podem aprender como espacejar o nascimento dos filhos que desejam ter, de tal modo que possam proporcionar a todos eles uma boa chance de sobreviver, uma educação razoável, e uma qualidade de vida decente.”
Evidentemente, esses são passos para se alcançar boa saúde. Mas, as perguntas óbvias são: Como podem os pobres dos países em desenvolvimento conseguir alimento suficiente, água potável, e higiene aceitável? Onde obterão eles os recursos e a habilidade necessários para prover tais coisas essenciais?
É interessante que um artigo de A Saúde do Mundo, a revista oficial da OMS, declarou: “Imagine um mundo ideal no qual toda a engenhosidade, todos os gastos, e todos os recursos humanos e materiais que atualmente são derramados em armamentos militares fossem, em vez disso, devotados à melhora da saúde do mundo!” Em que resultaria isso? Bem, o artigo calculou que a corrida armamentista custa ao mundo cerca de 600 bilhões de dólares por ano (c. Cr$ 2,4 quatrilhões), ou um milhão de dólares (c. Cr$ 4 bilhões) por minuto para mantê-la. Contudo, “a campanha de 14 anos para erradicar a doença assassina varíola, entre 1967 e 1980, custou ao mundo apenas 300 milhões de dólares (c. Cr$ 1,2 trilhões)”. Assim, o artigo concluiu: “Evidentemente, se até mesmo uma parte dos recursos atualmente destinados aos gastos militares pudesse ser transferida em vez disso para a prevenção, a cura e a pesquisa no campo da saúde, o mundo receberia um prodigioso impulso em direção ao alvo da Saúde para todos até o ano 2000.”
Que dizer das pessoas em países desenvolvidos? Podem estar em alguns sentidos numa situação melhor, mas, segundo o Dr. Mahler, elas também “precisam esforçar-se a cuidar de suas responsabilidades de saúde, alimentando-se sabiamente, bebendo com moderação, não fumando, dirigindo com cuidado, fazendo suficiente exercício, aprendendo a viver sob o stress da vida na cidade, e ajudando uns aos outros a fazê-lo”.
Assim, precisamos perguntar: Estarão as nações dispostas a mudar sua política e a dar elevada prioridade ao empenho pela saúde? Estarão elas dispostas a pôr de lado suas diferenças políticas e a reunir seus recursos e esforços, visando vencer as doenças? E mudarão as pessoas seu modo de vida para outro que seja mais saudável? Realisticamente, terá de admitir que isto é muito improvável. A cura de todas as doenças nunca se dará se tivermos de esperar isso das nações.
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