“Eu pensava que as pessoas podiam vencer qualquer disposição mental por simplesmente decidirem isso em sua mente, mas agora não creio que seja assim”, confessou uma dona-de-casa que havia outrora sucumbido à depressão intensa. “Às vezes, eu me deixava cair no chão e soluçava sem uma razão para isso.” Por fim, ela entrou em contato com um médico que encontrou uma solução que a ajudou.
Após ouvir seus sintomas de depressão intensa, o médico disse: “De imediato, deixe-me explicar que você sofre de uma doença física. Tenho medicamentos que acho que a ajudará.” Ele receitou um antidepressor tricíclico. Acreditava que isso contrabalançaria um suspeito desequilíbrio químico no seu cérebro, o que aliviaria a depressão. “Por um tempo, não houve nenhuma melhora”, mas, depois, disse ela, “em seis meses eu parecia uma nova pessoa, não precisava mais tomar a droga absolutamente”.
Há disponíveis mais de 20 antidepressores e também lítio. Não são “pílulas estimulantes” (anfetaminas) ou tranqüilizantes, que estimulem ou acalmem imediatamente o sistema nervoso, e que possam viciar. Em vez de impedirem certos impulsos geradores de ansiedade, como no caso dos tranqüilizantes, esses antidepressores (tricíclicos e inibidores da monoaminoxidase, MAO, abreviado) modificam aparentemente os níveis de certos neurotransmissores no “centro do prazer” do cérebro, e acredita-se que isto facilita a transmissão de impulsos agradáveis de uma célula nervosa para a próxima. Portanto, estas drogas tratam possivelmente um desequilíbrio químico dentro do cérebro.
Segundo o Dr. Ronald Fieve, diretor da Clínica Fieve de Lítio, da cidade de Nova Iorque, “o lítio trata a fase maníaca do estado maníaco-depressivo bipolar e serve bem como preventivo desse distúrbio e às vezes ajuda na depressão intensa recorrente”. Ele relatou que, num período de 20 anos, mais de 6.000 pacientes, aos quais se administrou o lítio numa dezena de países, foram cuidadosamente estudados. Dos que sofriam de depressão maníaca, 70 a 80 por cento foram tratados com bom êxito.
Naturalmente, pode haver efeitos colaterais-desagradáveis de todas essas drogas. Com freqüência, diversas drogas são testadas até que se encontre “uma acertada”. Os inibidores MAO podem causar uma reação letal se forem combinados com certos alimentos, tais como queijos curados, cerveja, vinhos e fígado de galinha. Portanto, todas as drogas precisam ser usadas sob cuidadosa supervisão de um médico bem-informado.
“[A terapia medicamentosa] não é, porém, uma solução mágica para todos os problemas de um paciente”, escreve o Dr. Nathan Kline, da cidade de Nova Iorque, na sua obra Do Triste Para o Alegre, em inglês. Este pioneiro no uso de antidepressores continua: “O que faz é corrigir uma determinada espécie de colapso funcional, de modo que o paciente possa enfrentar problemas com as capacidades restauradas.”
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