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sábado, 22 de maio de 2010

A era dos antibióticos

Quando os antibióticos surgiram, pareciam ser drogas milagrosas. Infecções até então incuráveis, causadas por bactérias, fungos ou outros microorganismos podiam agora ser tratadas com eficácia. Graças aos novos medicamentos, o número de mortes devido a meningite, pneumonia e escarlatina diminuiu drasticamente. Infecções hospitalares, que antes equivaliam a uma sentença de morte, passaram a ser curadas em poucos dias.

Desde os dias de Fleming, os pesquisadores já desenvolveram outras dezenas de antibióticos, e a busca por novos tipos continua. Durante os últimos 60 anos, os antibióticos se tornaram uma arma indispensável na guerra contra as doenças. Se George Washington vivesse em nossos dias, os médicos com certeza tratariam sua garganta inflamada com um antibiótico, e ele provavelmente se recuperaria em mais ou menos uma semana. Os antibióticos já ajudaram quase todos nós a nos livrar de alguma infecção. No entanto, as evidências mostram que eles também têm suas desvantagens.

O tratamento com antibióticos não é eficaz no combate a doenças causadas por vírus, como a Aids e a gripe. Além disso, algumas pessoas têm alergia a determinados antibióticos. E as drogas de amplo espectro de ação podem matar os microorganismos benéficos no nosso corpo. Mas talvez os maiores problemas com os antibióticos sejam o uso excessivo e a subutilização deles.

A subutilização ocorre quando o paciente interrompe o tratamento com antibióticos antes do prazo determinado pelo médico, porque se sente melhor ou acha o tratamento longo demais. O resultado é que o antibiótico talvez não elimine totalmente as bactérias invasoras, permitindo que cepas resistentes sobrevivam e se multipliquem. Isso tem acontecido com freqüência no tratamento de pacientes com tuberculose.

Por outro lado, tanto médicos como criadores de gado têm sido responsabilizados pelo uso excessivo dessas novas drogas. “Os antibióticos têm sido prescritos em excesso nos Estados Unidos e são usados ainda mais indiscriminadamente em muitos outros países”, explica o livro Man and Microbes (O Homem e os Micróbios). “Eles têm sido administrados em enormes quantidades aos rebanhos, não para curar doenças, mas para acelerar o crescimento, e isso é um dos principais fatores para o aumento da resistência dos micróbios.” O resultado, alerta o livro, é que “talvez com o tempo não tenhamos novos antibióticos a que recorrer”.

Mas, excetuando-se tais questões sobre a resistência aos antibióticos, a segunda metade do século 20 foi uma época de triunfos da medicina. Os pesquisadores médicos pareciam ser capazes de encontrar drogas para combater praticamente qualquer enfermidade. E as vacinas até mesmo tornaram possível prevenir as doenças.

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